novembro 16, 2004
Os segredos são de quem os guardar
Top Nacional: Manuel Cruz, Adolfo Luxúria Canibal e Jorge Palma.
A VIDA DOS OUTROS
Sei que é um segredo,
Eu não conto a ninguém.
Só falei a um que é teu amigo também
Diz-me o que é que ele disse, o que é que ele achou
Sobre aquilo que nós dissemos
Diz-me: ele acha-me o quê?
E se ele sabe o porquê, de tudo aquilo que nós vivemos
Os segredos são de quem os souber guardar.
Sei que é um segredo,
Eu não conto a ninguém.
Era tudo mais fácil
Se eu estivesse lá para ouvir
Eu não conto a ninguém.
Era tudo mais fácil
Se eu estivesse lá para rir
Eu não conto a ninguém.
Eu não conto a ninguém.
Eu não conto a ninguém.
Sei que é um segredo, isso é fácil de ver.
Se é que ainda o é
mas como vais tu saber!?
Diz-me o que é que ele disse
O que é que ele achou
Sobre aquilo que nós dissemos
Diz-me: ele acha-me o quê? E se ele sabe o porquê,
De tudo aquilo que nós vivemos.
Os segredos são de quem os souber guardar.
Basta que entre nós exista
e ao silêncio já não voltas
Não sei como foi nem quero amanhã calar eu espero.
Era tudo mais fácil
Quando era a minha vez de me vir
Eu não conto a ninguém.
Tão mais engraçado quando eu me lambuzava a ouvir
Eu não conto a ninguém
Eu não conto a ninguém
Eu não conto a ninguém
Diz-me o que é que ele disse
O que é que ele achou
Porque eu não conto a ninguém
Pluto - Bom Dia - 2004
novembro 13, 2004
Antagonia Filosófica Branca
Não receio sentir o desconhecido, receio não sentir de todo. Mas nessa inércia não toco e vivo com a dúvida coberta por cera quente. Na fugaz tentativa de superar o que de mais fraco existe em mim, sobra-me a vontade e falta-me a força. Levanto-me por isso, entre estas duas paredes de água e areia e vou em direcção ao ocaso da imensidão do teu (ou meu) inconsciente. É a força que encontro hoje para evitar o delírio. Não me faltasse ela em todos os restantes dias que sou forçado a existir.
outubro 20, 2004
Viagens em mim I
Estou cinzento e frio e melancólico. É a chuva que me dilui a vontade e o nevoeiro que me tolda a visão. São os sonhos desprovidos de qualquer emoção, uma história sem final feliz e de um viajante sem rumo.
Empurra-me o vento pelas costas e transporta-me para além do que quero e consigo ver. Como uma folha embalada pelo vento, rasgo o ar em golpes secos e sem qualquer sentido definido. São visões horizontais, numa planura inexistente, horizonte interrompido a betão disforme, castrador da vontade de ver e saber mais.
Devolve-me a loucura que insanamente me roubaste. É-me cara e fulcral para a sã existência que anseio. Desvaneceu-se em tons de saudades, de lembranças da vida, de viagens que nunca fiz.
Um novo sopro transporta para as ondas o rumo da minha viagem. Uma cruzada de descoberta, de realidades vãs, onde cada movimento é um passo de tango, uma confissão apaixonada, que começa em bonança e volve tempestade.
outubro 06, 2004
Up in smoke
Encontro os meus estímulos nas coisas mais insignificantes, e sem elas não posso, nem quero, viver. Surtos de suores frios reduzem o que sinto a gotas que me correm na fronte. Desprezo esta condição humana limitativa de feitos e sentimentos extraordinários. Um enorme negro cresce e toma forma, mas rapidamente o absorvo, em aneis de fumo carregado de coisas que não são reais. Desenham-se e dançam no ar. E desaparecem com um sopro, apago a vela e sinto a cera correr pelos dedos. Na ausência de luz o pensamento clarifica-se, mas falta-me o brilho á alma, uma falta que me condena a esta velocidade de cruzeiro a que as palavras me saiem.
«Cheguei aquele ponto em que o tédio é uma pessoa, a ficção encarnada no meu convívio comigo.»
F.Pessoa, Desassossego
setembro 21, 2004
É só vontade
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I Will
I will lay me down
in a bunker underground
I won't let this happen to my children
meet the real world coming out of your shell
With white elephants sitting ducks
I will rise up
Little babies' eyes, eyes, eyes, eyes
Little babies' eyes, eyes, eyes, eyes
Eles é que sabem
José Maria Trindade
Questionado por uma aluna sobre a eficácia da divisão de responsabilidades e trabalho no Seminário Inter-Disciplinar, pelos 3 professores envolvidos.
Uma palete de políticos, SFF
O Alberto João que se meta a pau, anda por lá a chamar ressabiados aos amigos populares do Portas na Madeira e isso pode dar mau (ou bom) resultado. É como diz o outro: "Quem se mete connosco: leva!" - passa uma coisinha má pela cabeça do Portinhas, manda as corvetas para a Madeira e faz lá um golpe de estado. O que não seria de todo mau!
Se esta merda se passasse noutro país, eu ria-me! Mas não, é mesmo por cá. É esta classe de bandidos que governa o meu País. Todos no mesmo saco. E é isso que é triste.
Políticos de profissão, ou adaptados a isso por força das circunstâncias: todos com uma incrível falta de memória, pois esqueçem-se das razões e das obrigações inerentes ao cargo que ocupam. Há, como em qualquer situação, honrosas exepções. Digo honrosas, porque são poucas, mas principalmente, pelo exemplo que conferem.
Espero que seja, como alguém me vem dizendo, a viragem de mais um ciclo. É a lei natural, tudo tem um ciclo. Maior ou mais pequeno. Curto ou mais alongado. Uma coisa é certa: tudo é finito. Quanto ao PP e ao Portas, não prevejo um futuro risonho para nenhum deles. Simplesmente porque já ninguém os atura! E vão descobrir isso da pior maneira. Há as tais exepções, mas eu não digo quem são!!!
Por mim, estou farto deles todos. Quero políticos novos! Estes estão velhos e caducos. Estou absolutamente cansado de ouvir dizer que o meu País é o último (ok, há a Grécia) em tudo quanto é indicador económico e de qualidade de vida! Esta trupe passeia-se por cá há 20 anos e os resultados estão á vista: um rotativismo cretino, de "ok, agora podes ser tu a mandar" - "Daqui a 8 anos mandamos nós" - andamos nisto há uns anos, largos!
Está na altura de renovar o sangue, de haver novas ideias e iniciativas. É necessária toda uma nova classe de pessoas que não se queiram intitular de "Políticos"; uma classe de pessoas que tenha como objectivo ser e fazer melhor, em prol do bem-estar público, que deverá ser o seu próprio.
setembro 10, 2004
Sabor a sal
O reflexo ténue na loiça branca denuncia toda a ausência e o espaço vazio, inundado por um cheiro a mar revolto, deixa no meio uma agitação constante. Dança sozinho, bem no meio, movido por ventos que se cruzam e abraçam num turbilhão de coisas que sinto e que não entendes. Misturado com o sal que resta dessa maresia, confunde-me e delicia-me o teu sabor, mas também hoje, à minha mesa, ninguém se sentou, ninguém bebeu do mesmo vinho.
As cores mortas da madrugada estão ali à minha frente e pedem-me para lhes fazer o velório. Sento-me no monte em frente ao mar e faço a minha procissão, espalhando incenso e fumo por cima das moribundas criaturas. Há nesta imensidão tanta vida que não conheço, tanto sabor e calor, tanto e tão pouco para o que alcanço. O sono assalta-me no meu último reduto de consciência. Cruzo as pernas e aconchego-me no ninho que aqui me reservaram. Tenho ainda uma certeza: faltas-me tu.
Sou mais do que pedi, mas menos do que esperam de mim. Mas já lá vai o tempo em que isso me preocupava e condicionava a minha maneira de ser e de estar. Quero apenas ser, e viver com isso.
agosto 26, 2004
Mão Morta

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No calor da febre que me alaga toda a fronte
Sinto o gume frio da navalha até ao osso
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
E a luz do sol a fraquejar no horizonte
Já desfila trémulo o cortejo do passado
Que me deixa quedo, surdo e mudo de pesar
Vejo o meu desgosto na beleza do teu rosto
Sinto o teu desprezo como um dardo envenenado
Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti
Sopra forte o vento na fogueira que arde em mim
Sinto a selva agreste nos batuques do meu peito
No cruel caminho em que me lança o desespero
Sinto o gelo quente do inferno do meu fim
No calor da febre que me alaga toda a fronte
Sinto o gume frio da navalha até ao osso
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
E a luz do sol a fraquejar no horizonte
Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
Sinto o cão da morte a bafejar no meu percoço
(...)
Cão da Morte, Primavera de Destroços, 2001
agosto 25, 2004
Insónias - 5ª episódio
Na minha visita diária (nocturna) pelos blog's amigos, reparo que o verão arrefeceu também a vontade de escrever à maioria dos camaradas. Mas há quem quebre a regra. Mais uma vez, este rapaz surpreende-me. Já aqui referi o PhotoBlog do Nuno, por uma vez. Mas não deixem de ver esta foto. «MIND BLOWING!»
Se tiverem tempo, e paciência, dêem um saltinho aqui. O meu alter ego, em colaboração com mais dois amigos.
Estive a ver o Elephant, de novo. Soberbo! Um filme intenso e um jogo de luz e contrastes, quase alucinante.
A minha relação com a obra do Van Sant é muito recente. Do fundo da minha ignorância, e sinceridade, só há pouco mais de um ano é que o senhor me foi "apresentado".
Como realizador, fez cerca de vinte filmes. Não conheço metade deles. Vi cinco. Há coisas com piada, outras não. Meter dois gajos, com o mesmo nome, a andar no meio do deserto, não chega para fazer um filme. Mas ele achou que sim e chamou-lhe Gerry.
Tal como faço aos filmes, releio livros. Por gosto. Porque descubro outras coisas. Porque vejo as mesmas coisas de maneira diferente. O Desassossego do Pessoa é, para mim, isso mesmo: uma maneira diferente de ver as coisas. Mas o que davam ao homem para ele escrever assim???
«Uma mão fria aperta-me a garganta e não me deixa respirar a vida.
Tudo morre em mim, mesmo o saber que posso sonhar! De nenhum modo físico estou bem. Todas as maciezas em que me reclino têm arestas para a minha alma. Todos os olhares para onde olho estão tão escuros de lhes bater essa luz empobrecida do dia para se morrer sem dor.»
PORRA! Leio e fico a olhar para a forma, deslumbrado.
Alguém lá dentro acordou para a vida. Parece que está a ser estudada uma lei que regule o negócio das roulotes de comida. Parecem colmeias e parece que se multiplicam. Toda a rotunda tem a(s) sua(s) roulote(s). O problema é que esses locais são, frequentemente, transformados em bares. Na rua, é certo, mas durante toda a noite, é ali que se come, é ali que se bebe e se bebe e se bebe... e depois, inevitavelmente, há problemas. Está na altura da bófia abrir a pestana. Falo com conhecimento de causa. Já assisti a uns bons combates de street-fighting. Mais que uma vez, em mais que um local. O episódio mais recente excede um pouco o normal, mas não inédito: andaram aos tiros num desses locais. Um morto. Esta merda tem algum jeito? E as bombas de gasolina com os carrinhos tunning e os seus bares improvisados? É a mesma história. Uma vergonha.
Fechem esses antros e deixem as casas que podem, e devem, estar abertas até mais tarde, servir refeições, bebidas e um local seguro para se estar. Mas não! - O que está a dar é fechar bares ás 2 da manhã... que fazer?
Eu... dormir.
Beijinhos e abraços
agosto 23, 2004
Remodelações
Mas template novo, vida nova! Espero que gostem, que apareçam e que comentem. É pedir muito? ops... ok, então desculpa.
abraços e beijinhos!
agosto 19, 2004
Descobertas
A mim parece-me que anda meio mundo agarrado ao Valium e ao Xannax, e chamam drogados a quem fuma cannabis... eles lá sabem.
agosto 18, 2004
Fidewa
200 gr. Miolo de Berbigão
200 gr. Miolo de Amêijoa
200 gr. Argolas de Lulas
200 gr. Camarão pequeno
10 Gambas
500 gr. Espaguete
4 Caldos Knorr de Marisco
Cebola, Alho e Pimento verde
Pimenta branca moída e Coentros(qb)
Preparação: Numa caçarola grande ou recipiente idêntico (serve o das paellas) faz-se um refogado, em azeite virgem, da cebola, o alho e o pimento verde. Cobrir toda a base do recipiente com o refogado e deixar apurar até que a cebola fique transparente.
Juntar todo o marisco, previamente lavado para soltar a areia. Deixar o marisco cozer em cima do refogado aproximadamente 5 minutos.
Neste período de tempo, preparar numa panela, um litro de água com 4 caldos Knorr de Marisco. Reparem que em altura nenhuma juntam sal ao tempero.
O marisco está quase cozido e falta apenas juntar a massa. Para isso junta-se meio litro do caldo de marisco e, por cima, o esparguete partido ao meio.
Deitar a pimenta branca moída, a gosto, e deixar cozer. Podem juntar o restante meio litro do caldo de marisco, á medida que vá sendo necessário para cozer a massa.
Servir no recipiente em que se cozinhou, adornando o prato com as gambas e umas folhas de coentros.

Vinhos:
Verde, muito fresco.
Nota: Confecciono ao domicílio. Preços módicos.
A viagem na cabeça
Fernando Pessoa, Livro do Desassossego
agosto 17, 2004
Mais que eu
Tenho calor, arrepio-me de frio, tiro a roupa e mergulho nás águas azuis. Sinto que recomeça tudo.
Desilusão
O resultado do referendo revogatório na Venezuela é uma enorme desilusão para o país. A minha família que ali vive, alguns há mais de 30 anos, merecia outro destino.
A permanência, por mais dois anos, de Hugo Chavez ao comando dos destinos da Venezuela é um perigo para os venezuelanos e, numa análise superficial mas global, para o mundo. Porquê? Porque o homem é louco, mas um louco esperto. Porque um soldado modesto, admirador de Fidel Castro, que tem programas de propaganda na rádio e na televisão, é presidente do 5º maior exportador de petróleo do mundo, e o 1º fora do Golfo Pérsico.
O «comandante» Hugo Chavez, que não é mais que um ditador, um militar que ascendeu na carreira a custo de muitas manobras obscuras, chantagens e assassinatos, chega ao poder, por caminhos não menos claros, e vence as primeiras eleições acusado de fraude. Chavez tinha estado preso dois anos, depois de uma tentativa gorada de um golpe de estado. O espírito revolucionário era a arma de Chavez. E o povo pareceu gostar. Mas nem todo: assisti a um discurso televisivo de Hugo Chavez, na noite de Natal. As pessoas vão para a janela e batem nos tachos e panelas, deixando o "presidente" a falar sozinho. Asseguro-vos que o barulho nas ruas é ensurdecedor.
O sistema político Venezuelano, mesmo depois da revisão constitucional, que permitiu a Hugo Chavez mudar, entre tantas outras coisas, o nome do próprio país para República Bolivariana de Venezuela*, concede ainda o direito ao povo de, a meio do mandato presidencial, dizer se está ou não satisfeito. Num país com cerca de 16 milhões de vontantes, se forem reunidas cerca de 3,5 milhões de assinaturas, o referendo pode ser convocado. Assim aconteceu e havia esta oportunidade. Era uma oportunidade que não devia ter sido desperdiçada.
O ex-presidente americano Jimmy Carter, entre outros líderes mundiais foram convidados pelo próprio Chavez numa manobra de propaganda no sentido de credibilizar o acto eleitoral. "Esforço", no entanto, em vão. Os opositores do regime de Chavez, prontamente, denunciaram aquilo que dizem ser "o roubo da réstia de democracia que ainda existia na Venezuela." - e alegam ter provas que ouve fraude. Facto é que em muitas das mesas de voto, os representantes do CNE (Consejo Nacional Electoral) foram substituídos por militares. Essa situação já se tinha verificado em 1998, data da primeira eleição de Hugo Chavez e novamente em 2002, data da sua reeleição. Estas situações são sintomáticas de regimes opressivos, anti-democráticos e... muito frágeis. Porque disso não tenho qualquer dúvida: basta haver interesse em terminar com eles; os regimes ditatoriais e opressivos, são os que mais facilmente caiem.
No momento em que escrevo, ouço nas notícias da Dois. Morreu uma pessoa e várias ficaram feridas, em confrontos entre apoiantes e opositores de Chavez.
Nada de novo, para minha tristeza e para a miséria em que vive 90% da população venezuelana.
Temo por um país que admiro e gosto, e temo pela minha família que ali vive. Vão ser dois anos difíceis.
*A admiração que Hugo Chavez tem por Simon Bolivar, o Libertador, chega ao ridículo de o presidente acreditar que possui o espírito de Bolívar dentro dele. Enfim, há loucos para tudo...
agosto 08, 2004
Regresso
São dias bem passados, garanto-vos. Vale bem a viagem.
De volta a terra firme, resta-me anotar e guardar as recordações (e partilhar algumas), que vão durar um ano. Mas enquanto não arranjo as fotografias para ilustrar tudo isso, deixo-vos uma sugestão:
O PhotoBlog de um amigo meu deixa-me orgulhoso. O nome dele é Nuno Ferreira. Tenho a certeza que é apenas uma questão de tempo até que o trabalho dele seja reconhecido. Desejo-lhe os maiores sucessos.
julho 29, 2004
Limpezas
Ainda não sei para que serve tudo que me deste. Guardo tudo como um livro velho.
Arrumado na estante do móvel velho, coberto de pó. Passo o dedo e faço um vale de coisas que foram. Limpo a mão ás calças e acendo um cigarro. A nuvem de fumo lembra-me como foi rápida a mudança.
Sem resistência, sem intervenção, mas com céus de recordações. Nada do que fizeste vai alguma vez desaparecer desse teu universo de saber, e sentir. Nada deixa de existir por não ser pensado. Criou o seu espaço e respira baixinho, mas está lá. Até ao fim.
Na vida não há castigos, nem recompensas. Há consequências. E o melhor é enfrentá-las hoje. Até porque me parece que o dia de amanhã é apenas uma ilusão.
julho 28, 2004
Pergunta porquê
Daqui não me surpreende o silêncio. As flores que evitam tocar umas nas outras para não fazerem barulho não sabem a sorte que lhes está destinada. Irrita-me a sua fragilidade e os factos inevitáveis e o futuro idealizado por idiotas que não sabem ao que sabe a vida.
A sucessão natural de acontecimentos tem tanto de previsível, como de ridículo. E porquê? Tens de ter? Tens de comprar e possuir? Tens de ser, ou de parecer? Será que te apercebes do que estás a fazer... a ti mesmo?
Nessa corrida desenfreada para a estabilidade, vende a alma ao diabo; tudo virá fácil. Ou escolhe fazer parte da imensa minoria que não violenta a sua consciência. Ela pode ser a nossa melhor amiga e amigos, esses, não abundam.
Por isso, desiste de perguntar "porquê". Desiste de tentar perceber. Vive para contar, sem virar as costas ás convicções que te trouxeram até aqui. Percebe, no fim, que tudo depende da escolha que fizeres agora, e agora e agora...
julho 05, 2004
julho 03, 2004
What the fuck?
- Vamos ser campeões da Europa.
- O Durão demite-se e vai para longe.
- O Santana Lopes vai ser 1ºMinistro.
... estão a gozar comigo??
julho 02, 2004
Fórmula
0,89 ga/Ls = 360 euros + 60 dias sem carta.
junho 19, 2004
Silêncio negro
Fosse esta dor tão irreal. Falta-me a coragem para enfrentar o inevitável, que ouço chegar, a pisar folhas secas, de palavras que perdem o sentido a cada passo em frente.
junho 03, 2004
Movimentos radicais
Mas é inevitável, não resisto. A excepção que confirma a regra. Recebi este mail, esta frase, esta pérola:
"O melhor movimento feminista continua a ser... o das ancas."

junho 02, 2004
Manifesto
"Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário:
estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar. Hoje, não.
A criança nasce não numa família mas numa pista de atletismo com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis. E um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição. Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho, as quecas de sonho. Não admira que, até 2020, um terço da população mundial estará a mamar forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima. Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência. Mas a felicidade."
João Pereira Coutinho, jornalista
junho 01, 2004
Once in a lifetime
Uma das grandes bandas de sempre em Portugal no dia 11.

Para quem quiser ouvir uma música...
Clica com o botão direito do rato e escolhe "guardar destino como...".
Coincidências festivas

Que giro.
Precisamente neste dia, os suspeitos no caso «Casa Pia», conhecem a decisão da juíza. Quem vai a julgamento, e quem não vai. Já era tempo, digo eu.
Ao mesmo tempo, alteraram-se as medidas de coação. Os que, de facto, vão a julgamento, aguardam o mesmo, não em prisão domiciliária, mas apenas proibídos de se ausentarem da sua área de residência, neste caso a área do concelho de residência.
Mas o curioso é o timming da questão. E as consequências que tem.
Não acham estranho tudo isto ocorrer UM dia antes do Dia Mundial da Criança??!??
Os responsáveis pelas festividades organizadas para o efeito, marcadas nas áreas de residência dos arguidos do processo de pedofilia, vão pensar seriamente em localizações alternativas.
maio 29, 2004
Viver para contar

Passaram mais de 30 anos desde que Tom Morey, na garagem de sua casa na Califórnia, moldou a primeira prancha de Bodyboard. O surf estava em acentuada expansão, mas a maior segurança, comodidade e menor custo das novas pranchas de bodyboard, levou o bodyborad a afirmar-se e a crescer até ao que é hoje.
O fascínio deste «sabonete rastejante» é caber na mala do carro, resistente mas suave, fácil de aprender e permite andar na onda de mais que uma maneira: deitado, de joelhos(drop-knee) ou em pé, em todos os tipos de onda, desde a pequena espuma até ao maior dos tubos.
Que quero eu dizer?? Isto não é só desporto de grandes atletas, que enfrentam ondas e condições extremas, desafiadoras da própria vida. É um desporto versátil por isso mesmo. Para desfrutar do bodyboard não é preciso andar a voar em ondas de três metros. O bodyboard serve para desafiar as ondas mais "pesadas" do planeta e para divertir a criancinha e o pai (ou a mãe) de família num fim de semana quente de verão.
Tom Morey chegou a afirmar que o desporto que ele inventou, estava a seguir um caminho diferente daquele que tinha imaginado. Demasiada competição, agressividade e exigência. Talvez ele tenha razão. Mas há quem não pense assim. Há quem goste simplesmente da essência. Há por aí muitos desportos que deviam meter os olhos no exemplo que é o bodyboard. Mas como já disse uma vez, tem de se viver para contar.
Na semana passada andavam uns miúdos com umas pranchas, a brincar na espuma das ondas, na praia onde costumo ir. Calcei as barbatanas e fui para lá, divertir-me com eles. Acho que também foi por isso que Tom Morey inventou o Bodyboard.
P.S.- Sei que já estão a pensar em comprar uma prancha e umas barbatanas. Encontramo-nos dentro de água?
maio 27, 2004
O nível da política em Portugal
Durão Barroso, Carlos Carvalhas e Francisco Louçã (qual Trio Odemira) deram música aos deputados e ao País. De "cobarde" a "insuportável", eles cantam á desgarrada, só interrompidos pelas chamas de atenção do Sr.Mota Amaral que, já sem esperança num debate sério, exclamou: "Já disse o que tinha a dizer sobre esse assunto" (Leia-se, já tinha avisado os meninos para falarem como as pessoas).
O ataque bifurcado tinha Carvalhas e Louçã a comandar cada flanco.
Carvalhas consumido da vida porque o PM acusa, a ele e ao seu partido, de serem responsáveis por "coisas que possam correr mal". Sinceramente, estou com o Carvalhas nisto. Que queres dizer Durão? Se não estás, como te acusam, a refugiar na maioria, porque foi essa a única resposta que destes?
Já Francisco Louçã insistiu no assunto da GALP e do negócio da Caixa Geral de Depósitos. Há coisas mal explicadas, favorecimentos de grupos económicos e empresas americanas e dois poços de petróleo ao barulho. O Louçã é chato, ok. Mas o homem levou factos, e nenhum deles foi ainda formalmente desmentido.
É triste e sintomático. À saída do debate, Durão Barroso falou de maioria e de atitudes anti-democráticas. Não se retractou do mau exemplo que também ele deu... e siga para o futebol, não sem antes exclamar:
"O nível da política em Portugal está muito baixo".
Boa! Pois está Durão...
«AZUL»
No entanto, as últimas horas surpreendem pela negativa. A atitude do Mourinho é difícil de explicar; ele terá as suas razões, mas jogadores e adeptos mererciam outra postura. Não aproveitou o momento e agora está de saída. Veremos se terá muitas mais hipóteses de festejar um título como o que o FC Porto ganhou ontem.
Parabéns aos tripeiros e que esta vitória sirva de tónico á equipa nacional.
No meio de tanta crise, e das consequências gravosas que o investimento disparatado no futebol implica, é o mínimo exigível.
maio 24, 2004
Nevou
Sabor a tudo, ar frio e seco. Folhas em branco rasgadas para fazer sentido dizem que não é permitido pensar. Lançadas ao vento, são neve impura, cheias de nada.
Hoje fui mais fundo, remexi em feridas e dores que já não tenho e já não sinto.
Faz-me falta o teu sorriso. O sol já não me aquece e não tarda a extinguir-se.
Conforta-me e esqueçe-me.
Leiria, 25 Janeiro, 2003
Ordenados, S.A.
Afinal não há crise nenhuma, é tudo uma farsa! (onde ouvi eu isto?)
Quando se pode pagar 60 mil euros por mês a um profissional, escolha pessoal da nossa querida ministra das finanças, a teoria da crise cai por terra, qual castelo de areia que a menina Ferreira Leite e comparsas, andam a construir há dois anos.
Gaba-se ainda, esta senhora, da atitude que teve face ao "esquecimento fiscal":
- Se todos fossem como eu? - oh sra. ministra... se todos fossem como tu, não seriam 15 mil euros que fariam diferença no orçamento familiar. Mas não são. Há por aí muito boa gente a auferir o ordenado mínimo. Há por aí muito boa gente a ser interceptada nas auto-estradas, em mega-operações de caça á multa... faz falta não é?
Por isso, e por tantas outras calamidades ao longo de dois anos, a ministra das finanças METE NOJO.
Hoje deu-me para isto, que querem que vos faça?
Sim, Bush, metes nojo
Recentemente, em Cannes, o documentário Fahrenheit 9/11 ganhou a Palma de Ouro para o melhor filme. Influências políticas, uma declaração de insatisfação pública? Pode ser isso, e muito mais.
Segundo Quentin Tarantino, presidente do júri do referido festival, as questões políticas não tiveram relevância para a atribuição do prémio. O realizador da saga Kill Bill e Reservoir Dogs, atestou que o valor cinematográfico do documentário de Michael Moore é mais do que suficiente para lhe conferir legitimidade para merecer o galardão.
Com Bowling for Columbine, fomos confrontados com a terrível realidade que é o negócio das armas e munições, dentro dos EUA, das consequências desastrosas de ter um país com medo e com uma arma na mão de cada cidadão. Em cada um deles, existe um paladino, um justiceiro da noite, um ranger do texas... enfim, rambos!
No ano em que foi realizado o documentário, os americanos mataram-se (entre si) em número muito superior ás baixas que já registaram no conflito do Iraque.
O enimigo não está lá fora, longe da (curta) vista dos responsáveis políticos. O teu vizinho está armado, tem cuidado com ele e não o irrites, não lhe pises a relva, pois podes levar um tiro na cabeça.
Ao receber o prémio, Michael Moore não deixou de referir que já consegui distibuidor para o filme... na Albânia. Pois, porque no seu país de origem, o filme não é público. A Miramax recusou-se a distribuí-lo por, alegadamente, abusar de teor político, obviamente contestatário ao actual presidente e à sua forma de "governar". É assim a democracia nos EUA.
Por tudo isto, o Bush mete nojo. Tenho dito.
P.S.- Dado curioso, exposto em Fahrenheit 9/11 : nos dois primeiros anos de mandato, GWB passou 42% do seu tempo... em férias. Palavras para quê?
maio 19, 2004
Riscos
luz cheia de tudo,
que seca as folhas do chão.
Raiz de problemas, árvore forte e brilhante,
fruta doce, fresca.
Distância e medo.
Que esse cheiro me envenene e que a luz me cegue.
Que esse fruto me sufoque, entalado na garganta.
Que consiga gritar, dar a volta...
E acordar.
maio 16, 2004
Publicidade enganosa
Num país onde existem carências graves, quer a nível económico como social, consigo-me lembrar de tantas coisas que se fariam com essa (ultrajante) verba, destinada á contrução dos tais 10 estádios. Demagogia barata e crítica destrutiva? Saberão se abrirem os olhos.
O que está feito e em andamento é um projecto megalómano, desapropriado á realidade nacional. Uma tentativa ridícula de afirmação, quando tanto o futebol como o país, estão longe de ser aquilo que o FC Porto vai fazendo pela europa ou ser-mos o país apresentado em outdoors e publicidades (enganosas).
Dizem que reconhecer a doença é o primeiro passo para a cura. Portugal não está em crise, está em negação.
Sobre o campeonato europeu, desejo apenas que a selecção ganhe, que os jogadores recebam cerca de 200 mil euros cada um (o scolari recebe 50% mais) e que o país beba cerveja e ande em festa três dias... mas no fim, vai voltar tudo a ser como era. Porque nada disto vai resolver seja o que for.
O desemprego sobe, as dificuldades sobem, os impostos sobem, a gasolina sobe... enfim, vocês sabem a história. A minha sugestão é que mudem aquela música da GALP. "Menos aís?" - cante-se "Sobe mais, sobe mais, sobe mais.... sobe muuuuitooooo mais!"
Alvorada
Tenho um rio nos olhos que fecho até me doer, não queria sentir. Estaria melhor a sonhar, mas a angústia não me deixa dormir. A consciência conforta-me e atravessa-me o peito. Queria correr mas as minhas pernas não me ouvem. Como tu.
Perdi-me na procura das razões que justifiquem o inexplicável. Dedicação e entrega são doces que se oferecem sem olhar a retorno. Amor não.
abril 27, 2004
Fantasmas de Abril
Ainda assim, aos militares e ao povo que gritou por "Liberdade", agradeço-lhes 30 anos depois.
Tenho pena de não ter vivido naquela época. Em 1974 andava a treinar sprints para os campeonatos do amor, e em 1977 fui o mais rápido e venci. Vim ao mundo e já nasci em liberdade. O que não podia imaginar era como viria a ser tão importante e decisivo para o meu futuro, o que se tinha passado alguns anos antes de ter nascido.
Confesso que ainda agora, no momento em que estou a escrever, hesito em falar deste assunto. Custa-me porque me obriga a falar do meu pai.
Ele e tantos outros, viram-se enviados para África, neste caso, para a Guiné. Com 21 anos, em Junho de 1970 e na pior altura da guerrilha na Guiné, as hipóteses de voltar sem mazelas eram meramente estatísticas. A 9 de Novembro desse ano, uma mina num rio causou-lhe a amputação de metade da perna esquerda. Nunca joguei á bola com o meu pai, perdoem-me o egoísmo... mas foi assim, sobre essas condições, que me obrigaram a crescer.
Depois da Guiné, a guerra nunca mais terminou para ele. Não foi apenas um membro que lhe foi amputado. Foram partes de vida, antes e depois, com reflexos nele e nos outros.
Saíu definitivamente do hospital militar de Lisboa, quatro anos depois. Era uma 3ª Feira, dia 23 de Abril de 1974. O que aconteceu na madrugada, dois dias a seguir, é a história que já se conheçe. As consequências, para o meu pai, para os seus descencentes e para a minha mãe, não são enumeráveis.
Há medos e fantasmas que custam a desaparecer, talvez se tenha que viver com eles, mas nós... nunca conseguimos. Já não me lembro há quanto tempo se divorciaram os meus pais, mas sei que faz hoje dois anos que não falo com ele.
Ao 7º dia descansou
Foi uma semana em que os (agora poucos) neurónios se focaram apenas no dolce fare niente, no consumo abusivo e de noites transformadas em dias, sem que se tenha bem a percepção de como isso aconteceu.
Mas foram também as amizades revisitadas, que ao invés de se perderem no tempo, ganharam força. Foram as novas descobertas e as novas decepções. Os amigos também se traiem.
Agora começa a outra fase. As responsabilidades chamam-me, mas o mar também. Esse "peso de alma" a que me referi há pouco tempo em tom de graça, levou-me hoje, sozinho, ao mar. E fez-me muito bem!
Só quem já experimentou estar dentro de uma onda, sabe perfeitamente o que estou a tentar dizer. Porque posso apenas tentar... faltam-me as palavras. Sei que voltei a casa com o ânimo renovado e de "alma lavada"! Sei que senti esta urgência de novo e estou bem com ela.
Se existem momentos em que me sinto vivo, este é um deles.

abril 08, 2004
3ª PESSOA
Quando escrevo quero apenas libertar-me do que escrevo e, se quisesse alguma coisa, seria apenas, se a isso fosse obrigado, dar a ver."
António Lobo Antunes
Isto escrito pelo mesmo homem que aceita "esmolas" do seu "pouco amado escritor", Pessoa.
Ainda assim, vale mesmo a pena ler a crónica do ALA na Visão (nº576).
4 Calhaus
Já tanto foi dito e escrito que não me permito iludir, nem quem lê estas barbaridades, com explicações sobre a pergunta que sempre fica no ar: Porquê?
Enoja-me o terror e as mortes, causa-me repulsa qualquer acto que resulte em perdas de vida humana. Mas estes 4 senhores arrastaram consigo, com o seu orgulho, com os seus interesses, os respectivos países. Só imagino o que poderá estar a sentir o sr.aznar depois de ver os seus compatriotas serem chacinados. Sem mais comentários...
Não tenho já vontade de pensar, nem escrever mais, sobre o que aconteceu. Talvez seja isso que significa Terrorismo.
Farei sim, nova previsão:
Primeiro nos Estados Unidos da América, depois na Inglaterra e finalmente em Portugal, TODOS os governos que se reuniram nos Açores, vão perder as eleições. Todos! Em Espanha, foi limpinho... e essa é a linguagem que entendem.
março 24, 2004
Hibernar
Tem-me faltado a vontade, e ando preocupado com isso. É na procura das razões deste estado de sentir as coisas que me tenho perdido.
Um antigo professor meu exclamou uma vez, em resposta a um comentário menos feliz: "A ignorância é fonte de felicidade!" - Não sei se o citou ou se é um daqueles clichés disfarçado de verdade universal. A verdade é que o Prof. Trindade, que leccionava Antropologia, sabia, e justificava, o que dizia. A vontade insaciável de querer sempre mais, revela-se muitas vezes, uma fonte de angústia.*
Numa atitude que a princípio julguei de desistência, escuso-me agora a mais indagações supérfluas e opto por valorizar o essencial.
Saber mais, querer mais, ter mais... torna-se, ao final, num enorme vazio.
Que grande confusão!?! Talvez... mas está tudo lá. É ao que se resume.
No que a este espaço diz respeito e a este "abandono" (como já houve quem lhe chamasse), a história repete-se. Ou devo dizer, reflecte-se?
Aquilo que não escrevo, é bem pior do que aquilo que escrevo. A plantinha raquítica, que alegra o dia de quem lhe dá todas as manhãs água para viver, existe porque alguém lhe valoriza a existência. Por isso, as minhas indisposições servem, nem que seja, para me lembrar que existo.
*Veja-se o actual estado das coisas: há uns anos ninguém sabia quem era o bin laden; o Afeganistão e os terroristas eram apenas referências distantes... e todos eram felizes. Ignorantes e felizes.
A versão light deste texto pode ser escrita assim:
- Pronto, vou deixar de ser preguiçoso e estou de volta para escrever mais asneiras.
fevereiro 26, 2004
fevereiro 25, 2004
O meu carnaval
Muito sinceramente, o carnaval nada me diz e ainda bem que já acabou. Durante os últimos dias foram frequentes as perguntas "Para onde vais? - Vais mascarado de quê? - O que vais fazer neste Carnaval?"
Bom, amigos... sentar e esperar que passe.
Mas, só um reparo, para aquelas almas desnudas e queixosas, que se lamentavam da chuva e do frio... ninguém lhes deve ter dito e isto pode surgir como uma surpresa para alguns, mas... lembram-se que neste país, ainda é INVERNO???!!???
Tudo pronto para o verão
A propósito da janela e das estações do ano, hoje lembrei-me dos incêndios florestais do verão passado. O início do mês de agosto foi catastrófico. O descuido e as mãos criminosas ceifaram florestas e vidas que jamais vamos reaver.
Lembro-me desses dias agora, ao abrir esta janela. De um lado a cidade, o hospital e a estação de tratamento de águas, do outro a Quinta S.Venâncio que se estende ao longo do rio, no sopé das encostas negras da Sra.do Monte. Lembro-me do dia em que desta janela se podiam ver as chamas, em que as cinzas pintavam o vidro de cor de morte. Lembro-me do que se disse, dos discursos inflamados (que apropriado), das desculpas e dos helicópteros para viagens turísticas... lembro-me, mas pelo que sei, está tudo igual!
Estive recentemente na Venezuela. As marcas da devastação causada pelas chuvas torrenciais há cerca de 4 anos, são ainda terrivelmente visíveis. Casas e pessoas, milhares deles, soterrados sob vários metros de lamas que, como uma avalanche, desceram das montanhas, encobrindo a região costeira de morte e destruição.
Dou este exemplo porque ainda vi casas e povoações completamente arrasadas. E faço-o para afirmar que, sem sombra de dúvidas, não podemos controlar a natureza. Ela é indomável e faz questão de nos ir lembrando disso de tempos a tempos.
O que pode (deve) ser feito é prevenir. Na Venezuela, a construção ilegal e a pobreza são razões para que essa tragédia se tenha traduzido em números terrivelmente assustadores. Em Portugal, as razões são outras, mas a solução é a mesma. Prevenção. Aqui, essa palavra é um oásis.
As matas continuam sujas e os interesses económicos do sector da madeira inabaláveis. Muito se falou do papel que o exército deveria ter no levantamento topográfico e limpeza das nossas florestas, muito se falou na criminalidade e nos criminosos.... faltam pouco mais de 3 meses para que se volte a falar de tudo isto, tenho a certeza! Mas entretanto, continua tudo igual.
Notas:
1- A natureza prega destas partidas... aos turistas de fim de semana que apareceram na televisão a refilar com a protecção civil porque as estradas da Serra da Estrela ficaram um caos... á boa maneira portuguesa, autêntica romaria á neve... sem correntes! Obedeçam aos sinais ou então... aguentem-se!
2-Por falar em sinais: o responsável da PSP que teve o acidente de mota no viaduto das docas em Lisboa devia ter dado o exemplo. A chuva e o piso miserável que ali existe vão lembrá-lo disso. Mas lá vai ficar sem cartinha....
fevereiro 24, 2004
Adeus - Eugénio de Andrade
Adeus - Eugénio de Andrade
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
fevereiro 23, 2004
Submerso

Vivo numa ânsia que não consigo explicar. Custa-me respirar.
Os traços brancos passam por baixo, como um relógio em contagem decrescente. Não olho mas sei que estão lá. Limitam e establecem uma regra. Tenho a sensação que lhe fujo. Não sei é de quê... e nada de concreto me esclarece.
Faço um esforço. Perco-me na tentativa. Anseio e tenho medo.
E volto a mergulhar, até me faltar o ar e voltar a gritar de novo.
Leiria, 23 Dezembro 2000
fevereiro 22, 2004
Quando o pequenino faz a diferença
É uma antagonia irónica, ter um extremo a ajudar o outro. Não fosse este ter, no fundo, ajudado o outro...
Vamos ver se a história não se repete.
Terapias
| AIR - Alone in Kyoto (Talkie Walkie) | Zero7 - In Time (When it Falls) |
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Devido ao limitado espaço que tenho disponível, só posso ter 2 ou 3 músicas no servidor. Cliquem no nome da música para fazer o download.
É como tudo... vão tirando e vai rodando.
Make love, not war

»964837794... Leiria... 1ªvez... ambas loiras... 19a... 22a... lindíssimas...
»969557214... Leiria... 10h/24h... Brasileira... Escaldante... Sexy... Sedutora... Privado... Deslocações...
»Estou em Leiria... à tua espera... Tm.969986527
»Leiria! 20 anos! Meiguinha! Elegante! +Amiga 21a! Desinibida! Tm.962743793.... T.244835733
»Leiria!!! loura!!! meiguinha!!! elegante!!! oral natural!!! Tm.969621443
»Leiria!!! Universitária!!! Busto46!!! Corpinho Perfeitinho!!! 20a!!! Tm.962705577
»Leiria... 10h/24h... Bela Morena... Brasileira... Simpática... Sexy... Privado... Deslocações... Tm.934982521
»Leiria... 912282012... Trintonas... Oral... Intensivo... sem... Borrachinha...
»Leiria... 912411816... 968976149... 2gatas... loiras... 19a... 22a... lingerie... sigilo....
»Leiria... 919447912 doce... divorciada... atende... sozinha... sigilo...
»Leiria... 964783061... 916428901... Meninas... Sedutoras... Visite-nos... Novidades...
»Leiria... eu sou um avião... sabes conduzir-me? (deslocações)... Tm.968636297... Tm.919697768...
»Leiria... Loira... Morena... Ruiva... Bocas Gulosas... (Acessórios) Tm.917913352...
»Leiria... loira... oral sem borrachinha... sozinha... Tm.969621443
»Leiria... loirinha... fogosa... oral... s/borrachinha... (novidade) Tm.967764181
»Leiria... meninas... atende em privado... totalmente desinibidas... corpinhos de sereia... 24a... Tm.918510885
»Leiria... Sozinha... Apresentação lingerie... 21a... Tm.912275794... Tm.967702994
»Leiria... trintona... peito42... oral natural... novidade... Tm.968263511
Não é nada de pessoal com o correio da manhã. Para o provar, aqui está. O seguinte anúncio, vem no Expresso desta semana:

Têm a cara e a coroa. O vice e o versa. Ou isso... uma no cravo, outra na ferradura.
É assim amigos... agora, aguentem-se.
Toureiros e putas de Bragança

Caro toureiro:
Que mal te fez o touro para gritares com ele e lhe espetares ferros? E que raio, porque ganhas (quase) sempre? Pois, porque, saberás que estás habilitado a que te aconteça o mesmo que este teu amigo (sim esse, da foto)?
Quem, como tu, ganha a vida a espetar ferros num animal, não devia morrer sem saber o que se sente com um corno espetado no cu.
O problema é que a luta é desigual!
É por isso que deixo escapar um sorriso cada vez que vejo imagens destas! É por isso que a notícia "Pedrito de Portugal colhido na Praça de Touros da Azambuja" - seria, para mim, uma engraçada ironia. Esse e os outros, que ganham a vida a massacrar animais! Arranjem um emprego, eu tenho de fazer o mesmo!!
Mas ainda temos a maior hipocrisia de todas, a tradição....Tradição!??? As putas também são tradição e já começaram a ditar-lhes a sentença! Perguntem aos Maridos de Bragança! Agora, além de pagarem ás meninas, agora têm também de fazer uma vaquinha para a viagem a Espanha. Tudo a sair do belo Orçamento Familiar! Levam-nas de Bragança, os custos de deslocação sobem!
Por isso, acabam com as putas, acabem também com os toureiros!
Isso seria justo! O que, neste país, é hoje uma piada.
fevereiro 21, 2004
Post-it aberto ao Durão
Post-it aberto ao Durão

Que gostas de andar a lamber o traseiro ao Bush e ao Aznar, isso é coisa tua.
Agora, ires para a conveção do Partido Popular (PP) dizeres que «O PSD e Portugal apoiam o PP nas próximas eleições», isso é que não!!!
Deixa-te de falar por quem não deves e, neste caso, não podes! Lá que o PSD apoie o PP espanhol, é uma coisa, mas, por favor, deixa PORTUGAL fora dessa caldeirada! Ou melhor, paella!
Durão, estavas mais exaltado do que o próprio sucessor natural do Aznar! Pelo andar da carruagem, em 2006 temos cá o pessoal do PP espanhol nos comícios dessa grande coligação PPD-PSD/CDS-PP. Que pomposo e no entanto, tão difuso!
fevereiro 16, 2004
A coluna METE NOJO
Espero que gostem e que deixem os vossos comentários. Não sejam é desagradáveis, porque enjoado ando eu, e posso fazer-vos objecto da próxima coluna. Obrigado
METE NOJO O mete-nojo do dia: George W. Bush |
| Chamar a este homem, presidente dos EUA, é apenas protocolar. Provavelmente uma mentira, já que existem muitas dúvidas sobre a validade da sua eleição. Mas, que fazer agora, ele já lá está! Vamos ver se salta fora em breve...
É um METE NOJO, porque como ele mesmo admitiu, é um presidente de guerra. "Tomo decisões a pensar na guerra". Já dei voltas e voltas a tentar encontrar uma justificação para um afirmação destas! Um significado escondido, uma mensagem subliminar... mas nada! E quem o ouve, do lado de lá do atlântico, ainda não se decidiu! Não seria mais prático e revelador de alguma inteligência (que obviamente não possui) afirmar: "Sou um presidente de Paz!" - bem sei que é mentira, mas podia fazer-se um esforço. Falhou em todas as frentes. Arrasou o Iraque, mandou matar milhares de pessoas com a desculpa das armas de destruição maciça que nunca encontrou, e prepara-se para rebentar com a escala no que diz respeito ao crescimento do défice. Não deu ouvidos ás Nações Unidas e, qual D.Quixote, avançou com o seu Sancho Pança (também conhecido por Blair) contra os moínhos de vento do Iraque. O Durão Barroso é a Dulcineia, que os recebeu nos Açores. Mas ele sabia que por lá, o vento não sopra forte e que os moínhos de vento não são mais que poços de petróleo. ELE SABIA! Por estas, e por tantas outras razões, o Bush METE NOJO! Termino citando o dito cujo: «É espantoso ter ganho. Candidatei-me contra a paz, a prosperidade e o espírito de missão.» - 14 de Junho de 2001, em conversa com o primeiro-ministro sueco Goran Perrson, sem se aperceber de que uma câmara de televisão, num directo, estava ainda a filmar.
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fevereiro 15, 2004
Tudo igual
Nem no dia em que mais de 8 milhões de portugueses (a fazer fé nas estatísticas da Luz) estão a torcer por eles, o Benfica consegue ganhar ao Porto. O que é muito chato. Contava com uma ajudinha, para o meu Sporting se aproximar de um título que fica agora, mais longe.
Também não conseguimos melhor, dirão vocês, feridos lampiões! Pois... têm razão! E isso é que irrita. Tou farto do Mourinho, do Pinto da Costa e tanto campeonato usurpado. Tou farto de prepotência, de caçetada e do emplastro.
Espero que o fungo que afecta a relva do estádio do dragão, contamine os pézinhos do deco e dos amigos. E nem é por lhes querer mal... era apenas para chegar ao fim da época e ouvir o Mourinho pedir novamente ao Pinto da Costa:
"Sr. Presidente, deixe-me sair!" - Vai, vai, e não voltes!
Acabou!

Acabei os exames! Acabaram as noites com a cabeça enfiada em livros, sebentas e apontamentos. Acabou o consumo desenfreado de café e cigarros. Acabou este enjoo permanente, comer mal e a más horas, e ter umas olheiras de meter medo ao susto! Acabou... por agora.
O balanço é, no fundo, muito positivo. Tenho apenas de me esquecer que fiquei doente e que emagreci 2 Kg (que falta que eles me fazem!)
Ou seja, estou de volta! De volta aos escritos e às indisposições diárias! Vou fazer por isso!
fevereiro 04, 2004
Persegue o sonho
Alegro-me então ao constatar que todos os que ali conheci, encontraram o seu caminho. Uns mais rapidamente que outros, mais ajudas de custo, menos almoços... enfim, escolheram perseguir o seu sonho, contra tudo e todas as adversidades sobejamente conhecidas e inerentes á profissão de jornalista. Pessoalmente, fascina-me. E porque a todos os que partilharam esses tempos comigo, apenas lhes desejo o melhor da vida, aqui:
Fica aqui o meu sentido abraço, e agradecimentos, ao Nuno Henriques e ao António José Laranjeira. Por tudo o que me ensinaram e pela amizade. Aos interessados, consultem diariamente aqui!!!
Á Jacinta e à Séfora, coragem! O vosso espírito empreendedor é louvável! Metam lá a Tribuna da Marinha Grande on-line.
Ao meu homónimo, Anselmo, sei que altos voos o esperam. Muito sucesso!
Á Maria João, porque apesar de desligada do jornalismo, que adora, persegue outro seu sonho...
Last but not the least... ao João Paulo Leonardo, agora também na rádio, pela referência, e paciência, ao longo do tempo em que tive o prazer de trabalhar com ele.
Eu sei, hoje estou um bocadinho lamechas, mas que querem que vos faça?
Volto amanhã, com as indisposições do costume.
Beijinhos, abraços e até breve.
The usual suspects
«Será que ainda não deu para entender que o negócio da droga vai muito além dos suspeitos habituais, dos maus da fita do Cartel de Medellin ou de Cali, e que envolve hoje respeitáveis bancos, poderosas empresas multinacionais, honrados cidadãos e governantes acima de toda a suspeita? E o que é que a toda essa poderosa e oculta gente deseja, para Portugal ou qualquer outro país no mundo? Que nada de essencial mude.(...)
(...)Desminta quem for capaz. O essencial do negócio é que ele se mantenha ilícito - é isso que faz prosperar os traficantes.»
Seria razoável pensar que, 7 anos depois, a situação se tivesse alterado.
O enorme e redondo falhanço na luta contra a droga vai-se disfarçando. Criam-se comissões e institutos que ninguém fiscaliza! Quais os resultados das "Comissões da Dissuasão da Toxicodependência"? Abrem-se centros de recuperação (bem rentáveis...), discursos bonitos e... deita-se abaixo o Casal Ventoso. É mais ou menos como as apreensões, que os novos submarinos do Portas, fazem: apenas fogo de vista!!! Perguntem aos moradores do Intendente se gostam dos "novos vizinhos"? E as grandes apreensões de droga na costa sul, já filmadas como se de um filme de acção se tratasse? Pode surgir-vos como uma surpresa mas, sabem... a droga continua a entrar no País. Por isso, o falhanço é tão grande!
Desde que se tomou a droga como um inimigo público, uma real e perigosa ameaça à sociedade, desde que se tomou consciência que absorve grandes e pequenos, ricos e pobres, e de que destroça a vida a milhares de pessoas por dia... desde esse momento até aqui, a droga prolifera e vai ganhando aos pontos, até ao knockout final.
A avestruz é um animal simpático, e os bifes também não são maus de todo. Anda sempre emperaltado, bico para cima e pescoço esticado.... mas é um animal burro! Burro e medroso! Tal como quem é responsável, ao longo de todos estes anos, por fracassos sucessivos. As razões são essas: têm medo de tomar atitudes imparciais, socialmente justas. E se não o fazem por maldade, então é porque são burros!
Recuso-me a comentários filosóficos sobre o tema. Além da minha óbvia incapacidade para o fazer dignamente, o tema nem o mereçe. Requer sim, informação.
Luís Fernandes foi entrevistado por Ana Cristina Pereira, do Público. Este professor de psicologia efectou um estudo, no mínimo interessante.
Enfim, algo de novo sobre assunto tão problemático.

Just teasing...
fevereiro 03, 2004
Saudades
Aqui me devolvo ao inevitável. A mais bonita rosa também murcha...
E como vejo,
apesar de parecer estar a terminar,
amanhã de manhã, começa tudo de novo.
Modero o medo e a loucura da noite que não sou eu,
e do o ar doce e quente que a todos sufoca.»
Tavira, 2002

Muitos dos meus amigos já conhecem esta foto.
Alguns deles sabem a sua história e, poucos, o seu fim.
um grito de saudade
de vocês e das férias :)
Bom comportamento
Assim, e porque a hipocrisia é a mais nova e reluzente bandeira das super-potências, tanto George W. Bush como Tony Blair, estão este ano nomeados para o Nobel da Paz. A distinção deste prémio foi atribuída a personagens como Mikhail Gorbachev, Kofi Annan, Ramos Horta e Ximenes Belo ou Gandhi, à Cruz Vermelha, Nações Unidas, Médicos sem Fronteiras... Ora, digam-me se estou enganado, não é suposto "distinguir esforços para soluções pacíficas para o conflito"? - é um dos requisitos do prémio Nobel! Vamos envergonhar a história e encher de louros estes bandidos de gravata que dedicaram uma vida inteira à miséria em que este mundo se está a tornar?
Ainda vamos ver alguns dos antigos galardoados a devolver o seu prémio...
Ou como fez Jean-Paul Sartre, no ano de 1964, em plena guerra fria, que se recusou a ir receber o prémio a Estocolmo, acusando o juri de parcialidade política. Isso foi uma atitude!!!
Mas como se lembrou (e bem!) este meu amigo, onde está a nomeação do Durão Barroso?
Pois claro!!! Então a 1ª Cimeira da Guerra foi nos Açores! A não ser que o pessoal do Nobel pense que os Açores são uma base aérea norte-americana. Pronto, agora até eu estou na dúvida...
Sou levado a pensar que o nosso PM foi deixado de fora por outras razões.
Creio que o próprio Nobel não está muito satisfeito....
janeiro 31, 2004
E tu, que vês?

«Uns vêm em mim uma águia, outros um burro;
este vê um camelo e a maioria um outro qualquer animal.
Só há uma coisa que nunca fui: eu próprio.
Mas esse é um dos segredos que levarei para a minha sepultura.»
José Gomes Ferreira
Black days
Então porque vivo preocupado?
O mundano e o banal tiram-me o sono. Passo noites inteiras a contemplar um tecto de madeira; com um pouco de azar, a chuva bate-me à janela com um barulho agudo, a fazer-me lembrar as agulhas de uma máquina de costura. Ensurdecedor.
Quando chega a calma e o cansaço me vence, assaltam-me os pesadelos. Recorrentes, repetitivos e estúpidos. Mas tremendamente assustadores. Junto pessoas que amo com algumas que odeio. Junto passado com presente. Junto quotidiano com excepções absurdas e confronto almas que nunca se conheceram.
Volta a chover e acordo. Convenço-me de que sei quem sou. As merdas que digo, o bem que faço e todos os suspiros que der nesses intervalos.
Mas então... porque vivo preocupado?
janeiro 29, 2004
Ficar doente? Nem pensar!
Em concreto falo dos centros de segurança social! Ahh, a solidariedade! Que palavra bonita!
Neste ramo existem profissionais com mais de 25 anos de serviço (uma vida de trabalho) que auferem 650 euros/mês. Neste ramo, o sistema de promoções e ascensão na carreira, é uma farsa. Mas, ainda não satisfeito, o "nosso" governo decidiu-se agora por esta medida justíssima!! Senão vejam:
Para um trabalhador se candidatar às promoções, entra num concurso interno. Muito democrático, dirão. Nem vou tecer comentários sobre favorecimentos e outras coisas estranhas que se passam nesses ditos concursos. O que o Bagão e o Durão se preparam para fazer é excluir desses concursos, todo e qualquer trabalhador que apresente mais de 30 dias de baixa médica por ano. É certo e desejável, não adoecer. Mas acontece. Em termos práticos, mais de 30 dias doente em casa, com justificação médica, claro está, está fora do concurso.
É muito mais barato do que fiscalizar as baixas fraudulentas, sem dúvida. Poupa-se duas vezes pensarão os iluminados de lisboa! Não há promoções nem se investe na fiscalização.
Não é de resto uma situação nova. A questão dos impostos é um espelho: em vez de fiscalizar e aplicar um golpe forte a esta pouca vergonha que é a evasão fiscal, aumenta-se a carga no zé povinho, que não pode fugir nem reclamar. Parece que estou a ouvir o Bagão: "Eficiência!"
Tenho feito um esforço enorme para compreender as razões que levam o governo a tomar decisões como estas. Da mesma maneira que não os entendo, também não sei até onde a corda vai aguentar...
janeiro 20, 2004
Indisposição matutina - Parte I
O governo reuniu em Óbidos. Se o cheiro da ginja os inspirar a tomar UMA (que seja) decisão, já valeu a pena sair do mofo das salas de reuniões lisboetas. Mais turismo é que não! Já batemos no fundo, por isso está na altura de deixar o "governar dia-a-dia". A torneira europeia fecha-se cada vez mais e estamos a ficar sem empresas públicas para vender. Acordem e façam alguma coisa pelo país!
A nova DOIS, televisão de serviço público (??), reduziu drásticamente o número de filmes na sua grelha de programação. O "5 noites, 5 filmes"... já era. A programação da Euronews, que ocupava toda a tarde, passa agora á noite. Entre outras pérolas... Muito mais interessante, sem dúvida.
Está tudo mais caro. Se não está ainda, vai ficar. O pão, a gasolina, o tabaco, comer fora e a cerveja. Já nem sei o que é considerado "bem de primeira necessidade" e "um vício". Mas, que raio importa isso? Está TUDO estupidamente mais caro. E depois vêm uns senhores de fato e gravata pedir para o povo não se irritar por falarem em contenção salarial. "Estão a ir-nos ao bolso" - digo eu!
Será construtivo dizer que esta crise não justifica, de todo, a letargia em que se mergulhou. É certo que dizem que a nossa auto-estima anda em baixo, que os níveis de confiança atingiram um valor mínimo. Dizem que é perigoso andar na rua, os assaltos e os crimes! A pequenez não é pedagógica, muito menos moralizante! Mas é mais fácil para escamotear orçamentos vergonhosos, onde para combater o "medo" e o "terror" se dá dinheiro ao menino mimado que é o Portas, afinal para andar a viajar de Falcon e comprar submarinos!
É esse clima de medo que interessa. O que nem é, de resto, original. Os E.U.A. adoptaram esse sistema desde a 2ª Guerra Mundial. Aprendemos tanto com os nossos amigos!
Não há teoria da conspiração! Apenas um constatar de factos que apenas levantam o véu á podridão em que estamos mergulhados. Da política até à alta finança, da aldeia à grande metrópole, tornamo-nos, dia-a-dia, bichos nojentos! É certo que uns andam bem tratados. Ao bébé que está gordinho, costuma-se dizer: "Andas a mamar bem!"
janeiro 17, 2004
Palhaços
Aqui no nosso cantinho, o PM Barroso surpreende-me, dia após dia. Se não fosse trágico, tinha piada. E respeito aos palhaços, profissionais dignos, que nada têm a ver com o objecto deste post. Vem agora dizer, sua excelência, que é a favor da descriminalização do aborto. Já estava preparado para dizer bem do cherne, quando, qual descarga da bilis, remata dizendo "devido a compromissos eleitorais, não podemos rever essa matéria nesta legislatura" - isto é não ter vergonha na cara! Para completar o prato, o dirigente Guilherme Silva já avisou os deputados que face á "proposta alheia", devem manter a disciplina de voto. Em duas palavras esta situação descreve-se assim: grande palhaçada!
Mas, mal vai o mundo, não pensem que é só a nós que nos saiem os duques do jogo. Do lado de lá, têm o George... e a coisa não vai melhor.
Depois de iniciar o jogo (leia-se guerra) no iraque, o Bush junior não sabe como terminá-la. Até aqui nada de novo, pois o incapaz não tem a mais pequena ideia do que foi lá fazer. Os amigos do papá Bush sabem! Por isso, logo que o filho ganhou (ou não...) as eleições, informou-o que já tinha todos os nomes, para todas as pastas. O próprio plano para derrubar Saddam, gorado durante o seu "reinado", foi de novo executado, desta vez com mais meios - 62% do orçamento norte-americano é dedicado á pasta da defesa. Nome engraçado, já que a estes senhores, a máxima aplica-se: o ataque é a melhor defesa. Fico com vómitos só de me lembrar do que se passou nos ultimos 50 anos, mas esse será outro post.
Por agora e antes de me dirigir ás instalações sanitárias, recomendo que leiam isto. Um dos amigos do Bush mais velho, Dick Cheney (actual vice-presidente) sabe o que se passa. Reparem bem na cara do ignóbil quando aparece numa conferência de imprensa, parece que está sempre com vontade de se rir... e se calhar está mesmo!
Acabo com duas curiosidades: a Halliburton, dirigida por Cheney, mantinha até ao ano 2000, negócios com o Iraque e a Birmânia (dois regimes repressivos, que eles tanto gostam). Mas, mais importante, se bem que mais indigesto, este mesmo senhor, durante a presidência do Bush senior, foi secretário da defesa, responsável pela invasão do Panamá e da guerra do Iraque (esta não, a primeira...)
Enfim, um nojo.
janeiro 13, 2004
Ambição lógica
E por causa dessa ambição, que não desejo, vivo numa ânsia que não sei explicar. O traço descontínuo da estrada passa debaixo dos meus pés. Não o vejo mas sei que está lá. Limita e establece a regra. Também por ambição, ou falta dela, faço um esforço por classificar os meus medos. Seja qual for a origem da minha ansiedade, o meu medo caminha a seu lado, parasitas, um do outro.
Acabo por não concluir se me sobra, ou falta, ambição. Não concluir é, de resto, a minha única certeza. Ao fechar a porta e abordar as ruas, torna-se tudo um pouco mais claro. Gosto da sensação e gosto das ideias que me faz ter. De resto, vagueio um bocado. Concentro-me quando necessário, respiro quando preciso de ar e vou vivendo. Mas não me sinto sempre vivo.
escrito a 03-11-2001
janeiro 12, 2004
Férias de sonho
Saudosas as férias que tive a oportunidade de tirar nesta quadra festiva! Rumei à America do Sul para visitar familiares e afogar-me em "Cuba Livre". Férias de sonho. Teria sido assim, não fosse a indigestão causada por esses infames e pulhas da companhia aérea que é a Air Luxor.
É suposto levar a mala, algum dinheiro e UM bilhete de ida e volta. Pois com esta "estrela" da aviação civil europeia, para se regressar a casa, é necessário algo mais. Em traços gerais, não havia avião para trazer 70 portugueses de Madrid para Lisboa. Alternativas da Luxor? "Vão de autocarro!" - Nem sei como, entre tanto português, ninguém se passou do juízo e não respondeu, à letra, a uma calinada deste tamanho.
Confusão instalada, um jogo do empurra nojento, com 70 jogadores e um aeroporto (de Madrid) como expoente máximo da falta de profissionalismo e respeito.
A solução passou por comprar OUTRO bilhete, na "nossa" TAP, para regressar a Lisboa. A Air Luxor deve-me o valor da passagem da TAP bem como o do trajecto Madrid-Lisboa, que não efectuaram. Faço-me entender? São pior que molho tabasco em arroz branco, em dia de ressaca! Ah, quase me esquecia, a bagagem da minha irmã... ainda não apareceu. Sem palavras.
No dia em que a ONU anuncia um aumento de 4% no tráfego aéreo mundial em 2004, dá vontade de perguntar se eles fizeram as estatísticas a contar com a Air Luxor? Pelo andar do carrocel, essa meta vai ficar bem longe!
Estão avisados, se querem voltar para casa com o mesmo bilhete da ida, escolham outra companhia!
P.S.- Como o propósito era descarregar o nojo que ainda me mete toda esta situação, e como fui demasiado brando, termino esta 1ª intervenção a praguejar. Directamente aos responsáveis da Air Luxor: Carneiros tosquiados, vacas tresmalhadas, porcos imundos! Pronto, já me sinto melhor.
A primeira vez
Desenganem-se pois não tenho nada de importante ou erudito para dizer. Dada a expansão do blogomundo e a intensa consulta que faço todos os dias a umas quantas "tascas" digitais, decidi abrir a minha própria tasca.
Aqui não há vinho nem aguardente. A ginja acabou e o whiskey está caro. Temos Pedras Salgadas. Contra enjoos e mau-estar, ressaca e indigestões. A mim parece-me que é tudo um problema de estômago. Anda meio mundo mal disposto! Ler barbaridades, que possa (e vou!) escrever neste espaço, pode ter os mesmos dois efeitos de uma garrafinha de Pedras Salgadas... como se não os soubesses! Guardei, ao longo dos anos, folhas, notas e pequenos cadernos com as minhas indisposições, ressacas e afins... tal como este blog, sem temas, sem assuntos e sem intenções.
O que esperar? Além desses textos que já existem, o quotidiano está cheio de situações indigestas. Exemplos: O polícia multou-te, escreve e insulta. O político é hipócrita, escreve e insulta. O estado mete-te a mão na carteira, escreve e insulta. É bom, para digerir toda a merda que nos fazem comer todos os dias! E há coisas difíceis de digerir.
Explicado que está o nome da "tasca", deixo o assunto do 1º post oficial do Pedras Salgadas: A minha aventura com a Air Luxor. Na primeira pessoa, a história indigesta de 70 portugueses no Aeroporto de Madrid, sem transporte para regressar a casa. É a história da mais nova "estrela" da aviação civil europeia, que do sucesso à desgraça, viu passar meia dúzia de dias. A mim, deu-me vómitos.
P.S.- Ainda não tenho maneira de comentarem, não percebo nada disto. Mas aceito as vossas críticas e sugestões neste mail: krespu@sapo.pt







