outubro 25, 2006
Folha em branco para teclas sujas
Folha em branco ou teclado sujo... é indiferente. O marasmo é o mesmo.
Há uns meses (foram anos?) preguei na parede um pedaço de poema do Jorge Palma que faz, hoje, mais sentido que nunca. Por agora vou apenas reproduzi-lo aqui, com a promessa, feita a mim mesmo e a mais ninguém, de que voltarei aos meus devaneios e gritos em público.
«Somos todos escravos do que precisamos,
reduz as necessidades, se queres passar bem.
Que a dependência é uma besta, que dá cabo do desejo,
e a liberdade é uma maluca,
que sabe quanto vale um beijo.»
Até logo.
janeiro 22, 2006
And the winner is...
O cargo de Presidente da República é, inequivocamente, político. Mas acima de tudo, deveria ser um exercício de cidadania, um compromisso cívico.
O que hoje se decide nas urnas faz-me lembrar aquele "prémio carreira", já comum nas cerimónias de entrega de prémios de música ou cinema. O cargo de Presidente da República é o escalão final de uma profissão: o político. Ora, como já sabemos, as coisas na política "levam o seu tempo"! O resultado está á vista, temos cinco candidatos envelhecidos, políticos profissionais (sem sentido pejorativo) que, sem serem nomeados, como é hábito para estes "prémios carreira", se candidataram. E agora? Quem escolher? O grande problema (dilema?) nestas eleições não foi escolher em quem votar. Para quem não tem especial afinidade com partidos, mas que não renuncia á participação cívica, foi olhar para os candidatos. São estes os candidatos que temos? Não podemos escolher mais ninguém? Que desespero...
E é desesperante porque as escolhas são estas. Mais nenhuma! Ora veja-se:
Cavaco ganha já hoje. Os socialistas que dispersaram o seu voto, em candidaturas à esquerda, e uma significativa abstenção, fazem com que tenhamos, pela primeira vez, um Presidente da República oriundo de um quadrante político que não a esquerda.
Resultado: Sócrates é reconhecidamente teimoso. Corajoso (dê-se o mérito ao homem) mas terrivelmente teimoso. Cavaco é teimoso e fixado na sua superior inteligência. Adivinha-se um choque frontal. Durante a campanha fez afirmações (mas poucas, que as palavras são-lhe caras) que surpreenderam por revelarem desconhecimento das competências de um Presidente da República. O receio é de reincidir numa onda de instabilidade, de choque institucional, enfim, de uma guerra num galinheiro onde só pode haver um galo e onde antevejo penas pelo ar!
Ou então... Os indecisos vão às urnas e a abstenção será menor. Aqui um cenário de 2ªvolta é mais provável. Quer se queira, quer não, é a única maneira de Cavaco sair derrotado. Num confronto directo. Mas com quem? Soares ou Alegre? Entende-se agora o desespero.
Um deles será escolhido e aí temos, na nossa boa tradição, um presidente para 10 anos!!!
É a altura em que a sala se levanta, bate muitas palmas, temos um discurso bonito, e vamos todos para casa... até à próxima "cerimónia".
Em 1999, durante a cerimónia da entrega dos "Óscares", a Academia homenageou Elia Kazan, realizador que marcou mais de três décadas do cinema americano. Elia Kazan prejudicou muitos dos seus pares, denunciando e entregando-os a uma "pide" americana, que perseguiu os comunistas, incluindo realizadores. Nessa noite de 1999, houve pessoas que não aplaudiram Elia Kazan, que ficaram sentados, que ficaram indignados, que perguntaram "só havia este?", e "como se vai homenagear um homem que fez mal ao nosso País e aos nossos antepassados?"
É costume aplaudir de pé o condecorado! Houve quem não fosse
Também hoje, nesta "cerimónia" de entrega do corolário de uma carreira política, vai haver pessoas sentadas, em silêncio, indignadas, mas não resignadas. Hoje haverão menos palmas.
Apetece-me concordar com o bastonário da Ordem dos Advogados, Rogério Alves, de 44 anos: "Nestas eleições presidenciais, houve uma geração que falhou, que não foi a jogo. Na minha geração há um vastíssimo leque de gente de grande qualidade, que foge da política como diabo da cruz. E isso é muito mau."
Pois é.
outubro 26, 2005
setembro 17, 2005
Venha a Manif Anti-Manif!
"Se for eleito, a Câmara de Lisboa não gasta nem mais um tostão com... com... com esses maricas!"
Sou levado a concordar que homosexuais não devam adoptar crianças. Há tantos casais a querer adoptar, não são as crianças que ficam a perder com isso. Despachem é a burocracia no processo de adopção. Tirando isto, esta manifestação, este partido, esta "frente nacional"... são patéticos.
Numa das bandeiras que um oficial das SS's, ops, um dos manifestantes, carregava, podia ler-se: "80% dos pedófilos são homosexuais." - é claro que ninguém sabe muito bem, quem nem quando, fez este estudo, com que bases, com que pessoas, em que instituto... ou seja, um logro! Da mesma fonte retirei alguns dados sobre estes manifestantes:
• 93% dos manifestantes são pouco inteligentes, mal educados, maus falantes (um não foi capaz de dizer nem "homosexualidade", nem "homosexual".... disse "homens")
• 85% dos manifestantes não têm vida sexual satisfatória. Estão desertos para fo*** um, (os "maricas" pois claro!), mas são tão insignificantes que nem os gays lhes ligam.
• 100% dos manifestantes são fascistas. E com esses eu também não posso: mas veêm-me na rua a gritar e empunhar bandeiras e a formar partidos contra os fascitas?
Que imbecis, que pretenciosos, que burros sois! E bolas, 200 pessoas para marchar? Têm ideia de quantos homosexuais, homens e mulheres, existem no nosso País? E aqui os números não vêm do ar (como os tais 80% de pedófilos serem homosexuais... ). Além da desproporção ser óbvia, também é notória uma falta de formação recorrente entre as pessoas que seguem este tipo de ideologia fascista. E porque isto provoca o chamado efeito bola-de-neve, este tipo de manifestações nem devia ser permitido. Porque, já estou a ver, a seguir são os gays e as lésbicas a sair á rua para manifestar contra a manifestação, depois vêm os skins, ops, os gajos da frente nacional, manifestar contra a manifestação que foi contra a manifestação... estão a ver o filme?
Acabem é com as palhaçadas. Vão trabalhar e cuidem dos vossos filhos com atenção e o carinho que eles mereçem. Eduquem-nos e informem-nos bem sobre os reais perigos da vida (aí sim, incluo a pedofilia que abomino!) Mas não os assustem com o "papão-gay" ou com afirmações como a que ouvi a um dos manifestantes, que disse ter um filho pequeno:
"Ser pedófilo ou ser gay, é tudo o mesmo estrume." - Pedófilo é estrume. Gay poderá ser o teu filho. Já lhe terá passado pela cabeça?
setembro 16, 2005
Quick one
«Vês que já não chega o que és quando, do nada, te surge esse pensamento.
O pavio mantém a pequena chama viva e a cera quente faz ondas e dilacera. Jaz, poente, a luz.»
Então que sobra do mundo que nos prometeram? Somos filhos de uma geração de libertadores. Nascemos em liberdade e «vocês não sabem o que ela custou!». – Mas o que fez esta geração á liberdade, que a conquistou de cravo no cano da G3? O que andaram a fazer estes 30 anos enquanto eu cresci a acreditar que toda esta história de liberdade, de Europa, de “rotatividade democrática” no governo, de uma terra de gentes passivas e costumes toscos, pacífica e simpática e feliz (desde que o benfica ou a selecção ganhe)... que lhe fizeram? Até onde trouxeram Portugal?
Este modelo pós 25 de Abril, este modo de ver a vida pública e social, está em decomposição. Não é necessária outra revolução, em que os militares saiam á rua. É preciso uma revolução que resgate valores. Que haja novos perfis para dirigentes políticos. Que seja natural uma pluralidade de vozes, com visões diferentes, e que da discussão, em vez do actual lixo de propaganda, emane algo profícuo. Reconheço alguma utopia nisto tudo, mas perguntem lá á minha avó se em 1965 lhe passava pela cabeça viver sem ser em ditadura? – Utopia, diriam.
Assim, começo a achar alguma piada a tudo isto. Ás rotinas, à agitação citadina, aos senhores de gravata em passo acelerado na rua que o fazem para dar a impressão de que vão atrasados para uma reunião importante. Gosto de olhar as pessoas na cidade e ver as ilusões a passear.
Bom, mas nada disto importa porque, na boa maneira de ser «tuga», tudo continua igual. Pois, para mim, não. Mando a ordem e as regras ás urtigas! Dizem que estou louco. Mas ao constatar o factual... isso não me importa nada. O que interessa é que me vou rir até que doa a barriga e a cabeça me rebente. Vou estar a aplaudir, de pé, a nacional-estupidez, em hipócrita ovação!
julho 31, 2005
Marca d'água
É vazio que existe. Os espaços que faltam preencher zombam dos seus pretendentes, deixando-os sem guarda, sem grito, sem fé.
Na praça, e mesmo ao lado do canteiro, há um banco de ferro. Sentou-se agora um velho. Vinha já a abrandar o passo, ofegante, quando avistou o oásis de ferro e madeira. Ali sentado não expõe as suas dificuldades na óbvia incapacidade de deslocação. Mas é senhor de si mesmo, recosta-se para a pose e acende uma cigarrilha. Irrita-se quando deixa cair a cinza nas calças brancas. Deixo-o a praguejar e volto a atenção para um monte que se eleva ao longe.
Não há verde, nem sol. Já nada anseio que não seja planura. Queimo o brio e a vontade. Na verdade, é água que já não mata a sede.
julho 23, 2005
Trapézio
Não tenho bem presente a verdadeira razão que me motiva, nem da tangência pela realidade em que algumas ideias me surgem. Não sei se não foi o calor da manhã. Não deveria, porque a esse já me venho habituando. Arranco-me à cama e procuro um cigarro.
Hoje penso que fiz a instalação de uma cortina. “Penso” porque na dúvida, não quero criar ilusões a mais ninguém. Vivo bem com a minha e não pretendo que se alastre. Sei que deixei o cigarro no cinzeiro porque ainda me cheira ao papel queimado do filtro. Coloquei dois pregos pequenos a uma altura que me pareceu bem: não isola mas separa. Não incomoda ninguém e desempenha o seu papel na perfeição. Esta parede de pano fino podia estar na horizontal, e serviria de igual modo de rede de segurança. Que me acolhe e ampara nas frequentes quedas.
Opiniões que tenho em enorme consideração e estima, lutam entre si. Uma disputa cujo campo de batalha é a minha própria consciência. E nessa, sinto que já não tenho mão. É ela o meu livre arbítrio, as minhas escolhas e a minha sina. Mas desejo esta guerra, de pontos de vista e maneira de sentir. Quero bater-me com todas as forças e as minhas melhores armas.
Atiro-me de cabeça, com a certeza de que o pano fino fará o seu papel.
julho 18, 2005
Está quase, quase...
Nos próximos dias posso finalmente voltar aos meus pequenos luxos, quer seja passar o dia dentro do mar, a sentir o seu pulsar, ou nos meus retiros vespertinos neste sótão/sauna, para ler e escrever. Projectos e novas ideias que quero, finalmente, começar a dar forma.
Aproveitei, por entre deambulações contabilísticas, de lançamentos e classificações, para modificar um pouco o blog. Inaugurei a moldura da foto do momento com o Sr.Alfredo, o yorkshire terrier mais feroz (mas simpático) do planeta. Vou deixando, o mais regularmente possível, as minhas modestas sugestões, de músicas, livros e filmes. Espero que gostem da remodelação no blog e aproveito para sugerir que visitem o blog deste amigo.
Até breve,
julho 16, 2005
Sem razão
Será cruel pensar que as explosões de Londres são uma pequeníssima amostra do quotidiano de cidades como Baghdad, onde os atentados são diários. Apenas foram mediatizadas. Onde morrem pessoas inocentes, não há razão que subsista.
Mas no Iraque, TODOS os dias morrem pessoas, igualmente inocentes. TODOS os dias há atentados, TODOS os dias mais vidas terminaram sem conhecer o luxo de ter três refeições por dia. Porque refiro uma condição tão básica, para a nossa cultura? Porque é nestas desigualdades que a cultura ocidental se tem baseado, e se fundou, para se afirmar e dominar, pela força se necessário.
Ao pensar nesta, e em tantas outras desigualdades e injustiças, tenho náuseas. Compele-me a relativizar cada vez mais coisas, que tive como certas ou essenciais até aqui. Mas isto podem ser apenas os efeitos de algumas semanas de estudo, que terminam em breve...
junho 26, 2005
O4 - ar pesado
Hoje o ar pesa, sufocado pela injustiça. Não estivesse eu cansado dela. Soltou-se a amarra do gosto pelos danos que, à revelia do que sinto, insisto em perpétuar. Não me motiva a raiva, mas o desgosto e a desilusão e a vontade de receber mais. Porque o altruísmo sentimental já não é sustentável.
Por isso hoje escolho ver, contemplar e não sentir. E deste dia, feito de negro e frio, escolho esquecer e afogar-me num mar de nada.
Ela Ganha!
E contra isto, nem sei o que faça! Mudo de cidade? de País?
No último acto eleitoral, Leiria foi o «oásis laranja num país pintado de rosa». Os resultados para Damasceno e para o PSD Leiria não tiveram outra leitura senão que «todos os objectivos, quer em número de votos, quer em mandatos, foram atingidos.»
Ora, depois do descalabro que foram os resultados eleitorais, o PSD de Leiria não se preocupou em tirar as suas conclusões sobre a razão e as motivações dos eleitores, que num contexto nacional penalizaram em muito o partido e os seus dirigentes, pelas asneiras que fizeram no tempo em que governaram.
O PSD Leiria e Isabel Damasceno não se preocuparam, nem com resultados, nem com avaliação, nem com sentir o pulso aos habitantes... nem havia razão para tal! Sabe-se agora porquê:
Damasceno Absoluta! - dizem. Pois é, 40% contra os 22% de Raul Castro, candidato do PS.
São praticamente metade dos votos. É, á partida, o fosso com que se depara o ex-autarca da Batalha, onde deixou obra feita e um trabalho reconhecidamente valoroso.
Este absolutismo laranja não é novo, nem surpreende. Há até, por esse país fora, outros exemplos deste fanatismo pela cor, mais que pela pessoa.
Não é necessário recuar muitos anos para relembrar Lemos Proença. O xôr engenheiro que mandou na Câmara de Leiria (CML) durante demasiados anos. Em grande parte, o (ir)responsável pela «selva urbana» em que Leiria se transformou. Um don do negócio imobiliário. Um homem sem visão para o investimento racional, sustentado e objectivo, para as verdadeiras necessidades de uma cidade, na altura, em enorme expansão.
A sucessão na CML foi assunto que originou as habituais guerras de poder, mas quem emerge deste conflito? Apadrinhada pelo anterior edil... senhores e senhoras, a sétima escolha do PSD Leiria: Isabel Damasceno!!! Estou convencido de que poderiam ter escolhido sua eminência o Bispo de Leiria, Serafim, dar-lhe uma bandeirinha laranja, ou mesmo uns dos manos Barreiras Duarte (que até são giros), ou o Bilro (mas ele tinha de deixar de jogar mais cedo)... teria sido indiferente... nesta cidade, não importa a pessoa. Importa a cor da sua camisola.
Damasceno candidata-se ao terceiro mandato, depois de ter dito inúmeras vezes (e eu acreditei, parvo) que não o faria.
Mesmo depois de todas as fintas de corpo à comunicação social, de estórias mal contadas, de dinheiros públicos desperdiçados, de uma cidade esventrada por um programa Polis e um relógio que, afinal, não funcionou... ela ganha.
Mesmo depois de anos de impunidade para com quem destrói o nosso rio, as suas margens, e os campos circundantes (sim, as suiniculturas), deixando de multar esses criminosos para o fazer com os milhares de automóveis, que em Leiria, vão tendo cada vez menos espaços não-pagos na cidade. Se não é parque subterrâneo, são todos os metros quadrados de superfície da cidade, tudo a pagar... ela ganha.
Mesmo depois de uma guerra desigual e injusta com os proprietários de alguns bares, a obrigação absurda de encerrar às 2 da manhã, mas não todos. Outros bares e outro tipo de casas de diversão nocturna, com ligações familiares aos vereadores, são a excepção. Mas de excepções está o mandato de Damasceno cheio. Mesmo assim... ela ganha.
Mesmo depois de acabar com o único pavilhão gimnodesportivo, de construir um estádio que está sempre ás moscas, de misturar a autarquia com o futebol, com a criação da empresa municipal Leirisport, com a afectação de fundos públicos a essa empresa, gerida por um vereador, que já não é, com permanentes suspeições sobre as relações entre Câmara e clube de futebol (com dirigentes corruptos, como de resto já se sabe)... ela ganha.
Mesmo depois de ter o seu nome envolvido no processo Apito Dourado, mais uma vez por não saber distinguir o que é, na realidade, o papel e as responsabilidades de um(a) presidente de câmara... ela ganha.
Conclusão: ela ganha sempre. Mas, não se enganem, ela é a Laranja.
Nota: Não tenho, hoje, ligações a qualquer partido. Já tive. Mas esta forma «tuga» de fazer política não me entusiasma. Demasiadas restrições e freios mentais. Fica-se... moldado, para ser simpático. Digo isto pois não estou aqui a fazer campanha por ninguém. Tudo o que escrevi em cima, são factos, são públicos, são revoltantes. Leiria começa a ter negras semelhanças com a Madeira... menos no carnaval.
maio 05, 2005
Bis in idem
Interessa-me pouco se é Inglês, Cabo-Verdiano, Colombiano ou Alemão. Interessa-me menos a sua idade. Desconheço o seu estado de saúde e a sua capacidade de intervenção na vida pública.
Sobre o novo Papa, apesar de ser católico não-praticante, convém dizer que não é a pessoa que está em causa. Que raio, um senhor com 78 anos, é sempre um velhote simpático! Ultra conservador, defende os dogmas da doutrina cristã com unhas e dentes. Assim, a escolha prenuncia uma regressão e não o contrário. Não haverá abertura, nem bom senso, nem aproximação ás novas realidades, que só a igreja teima não aceitar.
Não questiono as capacidades de Ratzinger, nem a sua inteligência, nem a sua preparação para o cargo que agora exerce. O que me preocupa é a sua visão do mundo, em particular do mundo católico que escuta, presta vassalagem e obedece ao Vaticano e ao Papa. É que, hoje em dia, ser católico, pode ser perigoso para a saúde.
Mudança?
Está em voga a palavra. Politicamente falando. Mas nas questões centrais da igreja, também vai haver mudança? Não falo de fé, de dogmas, de santos e de beatificações. Preocupam-me, concreta e objectivamente, posições e doutrinas da igreja católica face a realidades mundanas.
O exemplo maior: África vê os seus filhos morrer. Aos milhares. A SIDA neste continente avançou como em nenhum outro. As missões da igreja católica são impotentes para travar esta calamidade. E sabem porquê? Porque continua a ter essa posição absurda, desumana e ingénua de que o sexo tem como finalidade única a procriação. A censura ao preservativo é a arma com que a igreja católica mata milhares, todos os anos. Ao proporem a abstinência fazem-me apenas rir, não fossem as consequências tão trágicas. Se, a par da bíblia, também distribuissem umas caixas de preservativos, o resultado seria outro.
Nesta linha de pensamento, a questão do aborto surge como natural. Ninguém quer matar um filho, mas ninguém sabe das razões de uma mãe. A auto-determinação das mulheres ainda não é um direito fundamental adquirido. Ainda mais numa igreja que trata as mulheres como servas, inferiores, que nem direito à ordenação têm. São contradições e absurdos a mais.
Se Ratzinger for "mais do mesmo", é o Mundo quem perde.
março 21, 2005
Incoerências...
Numa edição recente do «Região de Leiria», o professor Amado da Silva indagava-se sobre a exclamação de vitória de Sócrates: "Conseguimos, conseguimos!". A dúvida sobre a transitividade do verbo só demonstra um certo amargo de boca que, obviamente, o meu caro professor sentiu. Justifico o possessivo por ter sido aluno do Pólo de Leiria da Universidade Católica, o mesmo pólo que o professor Amado da Silva teria ajudado a implementar em Leiria. Estranho-lhe assim a visão pouco coerente, ao afirmar, sobre a nova maioria PS e sobre António Vitorino o seguinte:
"Confiança num Governo cujo programa é redigido por alguém que, calmamente, se afasta do Governo que tem de aplicar esse programa, deixando a responsabilidade para outros?"
Os anos passaram, e o Pólo de Leiria afundou-se na sua pequenez, na falta de investimento, de divulgação inexistente, de uma «morte anunciada», culminando com o encerramento de todos os cursos aqui leccionados. Não vi, nem ouvi, o professor Amado da Silva pronunciar-se responsavelmente sobre esta matéria.
fevereiro 06, 2005
Problema ao regressar.
O problema é regressar. É voltar a sentar-me aqui e não me conter. Este afastamento, e reaproximação, provoca descontinuidades, espelhadas neste caso, na escassez de palavras que ultimamente me saiem.
Seguirei um conselho amigo de levar as coisas com mais ligeireza.
Reparo hoje, quando passadas algumas semanas, releio tudo isto, que se perdeu o carácter mais lúdico, de aliviar o stress ao comentar um qualquer acontecimento, de simplesmente dizer barbaridades por duas boas razões: por tudo e por nada. Fui ficando pesado, muitas (demasiadas) vezes melancólico. Deve ser do inverno...
Fica pelo menos a vontade de voltar ás origens.
Até breve
novembro 16, 2004
Os segredos são de quem os guardar
Top Nacional: Manuel Cruz, Adolfo Luxúria Canibal e Jorge Palma.
A VIDA DOS OUTROS
Sei que é um segredo,
Eu não conto a ninguém.
Só falei a um que é teu amigo também
Diz-me o que é que ele disse, o que é que ele achou
Sobre aquilo que nós dissemos
Diz-me: ele acha-me o quê?
E se ele sabe o porquê, de tudo aquilo que nós vivemos
Os segredos são de quem os souber guardar.
Sei que é um segredo,
Eu não conto a ninguém.
Era tudo mais fácil
Se eu estivesse lá para ouvir
Eu não conto a ninguém.
Era tudo mais fácil
Se eu estivesse lá para rir
Eu não conto a ninguém.
Eu não conto a ninguém.
Eu não conto a ninguém.
Sei que é um segredo, isso é fácil de ver.
Se é que ainda o é
mas como vais tu saber!?
Diz-me o que é que ele disse
O que é que ele achou
Sobre aquilo que nós dissemos
Diz-me: ele acha-me o quê? E se ele sabe o porquê,
De tudo aquilo que nós vivemos.
Os segredos são de quem os souber guardar.
Basta que entre nós exista
e ao silêncio já não voltas
Não sei como foi nem quero amanhã calar eu espero.
Era tudo mais fácil
Quando era a minha vez de me vir
Eu não conto a ninguém.
Tão mais engraçado quando eu me lambuzava a ouvir
Eu não conto a ninguém
Eu não conto a ninguém
Eu não conto a ninguém
Diz-me o que é que ele disse
O que é que ele achou
Porque eu não conto a ninguém
Pluto - Bom Dia - 2004
