Dizer que tenho andado muito ocupado seria fútil, além de uma enorme mentira.
Tem-me faltado a vontade, e ando preocupado com isso. É na procura das razões deste estado de sentir as coisas que me tenho perdido.
Um antigo professor meu exclamou uma vez, em resposta a um comentário menos feliz: "A ignorância é fonte de felicidade!" - Não sei se o citou ou se é um daqueles clichés disfarçado de verdade universal. A verdade é que o Prof. Trindade, que leccionava Antropologia, sabia, e justificava, o que dizia. A vontade insaciável de querer sempre mais, revela-se muitas vezes, uma fonte de angústia.*
Numa atitude que a princípio julguei de desistência, escuso-me agora a mais indagações supérfluas e opto por valorizar o essencial.
Saber mais, querer mais, ter mais... torna-se, ao final, num enorme vazio.
Que grande confusão!?! Talvez... mas está tudo lá. É ao que se resume.
No que a este espaço diz respeito e a este "abandono" (como já houve quem lhe chamasse), a história repete-se. Ou devo dizer, reflecte-se?
Aquilo que não escrevo, é bem pior do que aquilo que escrevo. A plantinha raquítica, que alegra o dia de quem lhe dá todas as manhãs água para viver, existe porque alguém lhe valoriza a existência. Por isso, as minhas indisposições servem, nem que seja, para me lembrar que existo.
*Veja-se o actual estado das coisas: há uns anos ninguém sabia quem era o bin laden; o Afeganistão e os terroristas eram apenas referências distantes... e todos eram felizes. Ignorantes e felizes.
A versão light deste texto pode ser escrita assim:
- Pronto, vou deixar de ser preguiçoso e estou de volta para escrever mais asneiras.