Interessa-me pouco se é Inglês, Cabo-Verdiano, Colombiano ou Alemão. Interessa-me menos a sua idade. Desconheço o seu estado de saúde e a sua capacidade de intervenção na vida pública.
Sobre o novo Papa, apesar de ser católico não-praticante, convém dizer que não é a pessoa que está em causa. Que raio, um senhor com 78 anos, é sempre um velhote simpático! Ultra conservador, defende os dogmas da doutrina cristã com unhas e dentes. Assim, a escolha prenuncia uma regressão e não o contrário. Não haverá abertura, nem bom senso, nem aproximação ás novas realidades, que só a igreja teima não aceitar.
Não questiono as capacidades de Ratzinger, nem a sua inteligência, nem a sua preparação para o cargo que agora exerce. O que me preocupa é a sua visão do mundo, em particular do mundo católico que escuta, presta vassalagem e obedece ao Vaticano e ao Papa. É que, hoje em dia, ser católico, pode ser perigoso para a saúde.
Mudança?
Está em voga a palavra. Politicamente falando. Mas nas questões centrais da igreja, também vai haver mudança? Não falo de fé, de dogmas, de santos e de beatificações. Preocupam-me, concreta e objectivamente, posições e doutrinas da igreja católica face a realidades mundanas.
O exemplo maior: África vê os seus filhos morrer. Aos milhares. A SIDA neste continente avançou como em nenhum outro. As missões da igreja católica são impotentes para travar esta calamidade. E sabem porquê? Porque continua a ter essa posição absurda, desumana e ingénua de que o sexo tem como finalidade única a procriação. A censura ao preservativo é a arma com que a igreja católica mata milhares, todos os anos. Ao proporem a abstinência fazem-me apenas rir, não fossem as consequências tão trágicas. Se, a par da bíblia, também distribuissem umas caixas de preservativos, o resultado seria outro.
Nesta linha de pensamento, a questão do aborto surge como natural. Ninguém quer matar um filho, mas ninguém sabe das razões de uma mãe. A auto-determinação das mulheres ainda não é um direito fundamental adquirido. Ainda mais numa igreja que trata as mulheres como servas, inferiores, que nem direito à ordenação têm. São contradições e absurdos a mais.
Se Ratzinger for "mais do mesmo", é o Mundo quem perde.