junho 26, 2005
O4 - ar pesado
Hoje o ar pesa, sufocado pela injustiça. Não estivesse eu cansado dela. Soltou-se a amarra do gosto pelos danos que, à revelia do que sinto, insisto em perpétuar. Não me motiva a raiva, mas o desgosto e a desilusão e a vontade de receber mais. Porque o altruísmo sentimental já não é sustentável.
Por isso hoje escolho ver, contemplar e não sentir. E deste dia, feito de negro e frio, escolho esquecer e afogar-me num mar de nada.
Ela Ganha!
E contra isto, nem sei o que faça! Mudo de cidade? de País?
No último acto eleitoral, Leiria foi o «oásis laranja num país pintado de rosa». Os resultados para Damasceno e para o PSD Leiria não tiveram outra leitura senão que «todos os objectivos, quer em número de votos, quer em mandatos, foram atingidos.»
Ora, depois do descalabro que foram os resultados eleitorais, o PSD de Leiria não se preocupou em tirar as suas conclusões sobre a razão e as motivações dos eleitores, que num contexto nacional penalizaram em muito o partido e os seus dirigentes, pelas asneiras que fizeram no tempo em que governaram.
O PSD Leiria e Isabel Damasceno não se preocuparam, nem com resultados, nem com avaliação, nem com sentir o pulso aos habitantes... nem havia razão para tal! Sabe-se agora porquê:
Damasceno Absoluta! - dizem. Pois é, 40% contra os 22% de Raul Castro, candidato do PS.
São praticamente metade dos votos. É, á partida, o fosso com que se depara o ex-autarca da Batalha, onde deixou obra feita e um trabalho reconhecidamente valoroso.
Este absolutismo laranja não é novo, nem surpreende. Há até, por esse país fora, outros exemplos deste fanatismo pela cor, mais que pela pessoa.
Não é necessário recuar muitos anos para relembrar Lemos Proença. O xôr engenheiro que mandou na Câmara de Leiria (CML) durante demasiados anos. Em grande parte, o (ir)responsável pela «selva urbana» em que Leiria se transformou. Um don do negócio imobiliário. Um homem sem visão para o investimento racional, sustentado e objectivo, para as verdadeiras necessidades de uma cidade, na altura, em enorme expansão.
A sucessão na CML foi assunto que originou as habituais guerras de poder, mas quem emerge deste conflito? Apadrinhada pelo anterior edil... senhores e senhoras, a sétima escolha do PSD Leiria: Isabel Damasceno!!! Estou convencido de que poderiam ter escolhido sua eminência o Bispo de Leiria, Serafim, dar-lhe uma bandeirinha laranja, ou mesmo uns dos manos Barreiras Duarte (que até são giros), ou o Bilro (mas ele tinha de deixar de jogar mais cedo)... teria sido indiferente... nesta cidade, não importa a pessoa. Importa a cor da sua camisola.
Damasceno candidata-se ao terceiro mandato, depois de ter dito inúmeras vezes (e eu acreditei, parvo) que não o faria.
Mesmo depois de todas as fintas de corpo à comunicação social, de estórias mal contadas, de dinheiros públicos desperdiçados, de uma cidade esventrada por um programa Polis e um relógio que, afinal, não funcionou... ela ganha.
Mesmo depois de anos de impunidade para com quem destrói o nosso rio, as suas margens, e os campos circundantes (sim, as suiniculturas), deixando de multar esses criminosos para o fazer com os milhares de automóveis, que em Leiria, vão tendo cada vez menos espaços não-pagos na cidade. Se não é parque subterrâneo, são todos os metros quadrados de superfície da cidade, tudo a pagar... ela ganha.
Mesmo depois de uma guerra desigual e injusta com os proprietários de alguns bares, a obrigação absurda de encerrar às 2 da manhã, mas não todos. Outros bares e outro tipo de casas de diversão nocturna, com ligações familiares aos vereadores, são a excepção. Mas de excepções está o mandato de Damasceno cheio. Mesmo assim... ela ganha.
Mesmo depois de acabar com o único pavilhão gimnodesportivo, de construir um estádio que está sempre ás moscas, de misturar a autarquia com o futebol, com a criação da empresa municipal Leirisport, com a afectação de fundos públicos a essa empresa, gerida por um vereador, que já não é, com permanentes suspeições sobre as relações entre Câmara e clube de futebol (com dirigentes corruptos, como de resto já se sabe)... ela ganha.
Mesmo depois de ter o seu nome envolvido no processo Apito Dourado, mais uma vez por não saber distinguir o que é, na realidade, o papel e as responsabilidades de um(a) presidente de câmara... ela ganha.
Conclusão: ela ganha sempre. Mas, não se enganem, ela é a Laranja.
Nota: Não tenho, hoje, ligações a qualquer partido. Já tive. Mas esta forma «tuga» de fazer política não me entusiasma. Demasiadas restrições e freios mentais. Fica-se... moldado, para ser simpático. Digo isto pois não estou aqui a fazer campanha por ninguém. Tudo o que escrevi em cima, são factos, são públicos, são revoltantes. Leiria começa a ter negras semelhanças com a Madeira... menos no carnaval.