agosto 26, 2004

Mão Morta

É quase perigoso entender os poemas do primo Adolfo...


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No calor da febre que me alaga toda a fronte
Sinto o gume frio da navalha até ao osso
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
E a luz do sol a fraquejar no horizonte
Já desfila trémulo o cortejo do passado
Que me deixa quedo, surdo e mudo de pesar
Vejo o meu desgosto na beleza do teu rosto
Sinto o teu desprezo como um dardo envenenado

Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti

Sopra forte o vento na fogueira que arde em mim
Sinto a selva agreste nos batuques do meu peito
No cruel caminho em que me lança o desespero
Sinto o gelo quente do inferno do meu fim
No calor da febre que me alaga toda a fronte
Sinto o gume frio da navalha até ao osso
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
E a luz do sol a fraquejar no horizonte

Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti

Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
Sinto o cão da morte a bafejar no meu percoço
(...)

Cão da Morte, Primavera de Destroços, 2001

agosto 25, 2004

Insónias - 5ª episódio

O PODER DA CANETA AZUL

Na minha visita diária (nocturna) pelos blog's amigos, reparo que o verão arrefeceu também a vontade de escrever à maioria dos camaradas. Mas há quem quebre a regra. Mais uma vez, este rapaz surpreende-me. Já aqui referi o PhotoBlog do Nuno, por uma vez. Mas não deixem de ver esta foto. «MIND BLOWING!»
Se tiverem tempo, e paciência, dêem um saltinho aqui. O meu alter ego, em colaboração com mais dois amigos.

Estive a ver o Elephant, de novo. Soberbo! Um filme intenso e um jogo de luz e contrastes, quase alucinante.
A minha relação com a obra do Van Sant é muito recente. Do fundo da minha ignorância, e sinceridade, só há pouco mais de um ano é que o senhor me foi "apresentado".
Como realizador, fez cerca de vinte filmes. Não conheço metade deles. Vi cinco. Há coisas com piada, outras não. Meter dois gajos, com o mesmo nome, a andar no meio do deserto, não chega para fazer um filme. Mas ele achou que sim e chamou-lhe Gerry.

Tal como faço aos filmes, releio livros. Por gosto. Porque descubro outras coisas. Porque vejo as mesmas coisas de maneira diferente. O Desassossego do Pessoa é, para mim, isso mesmo: uma maneira diferente de ver as coisas. Mas o que davam ao homem para ele escrever assim???
«Uma mão fria aperta-me a garganta e não me deixa respirar a vida.
Tudo morre em mim, mesmo o saber que posso sonhar! De nenhum modo físico estou bem. Todas as maciezas em que me reclino têm arestas para a minha alma. Todos os olhares para onde olho estão tão escuros de lhes bater essa luz empobrecida do dia para se morrer sem dor.
»
PORRA! Leio e fico a olhar para a forma, deslumbrado.

Alguém lá dentro acordou para a vida. Parece que está a ser estudada uma lei que regule o negócio das roulotes de comida. Parecem colmeias e parece que se multiplicam. Toda a rotunda tem a(s) sua(s) roulote(s). O problema é que esses locais são, frequentemente, transformados em bares. Na rua, é certo, mas durante toda a noite, é ali que se come, é ali que se bebe e se bebe e se bebe... e depois, inevitavelmente, há problemas. Está na altura da bófia abrir a pestana. Falo com conhecimento de causa. Já assisti a uns bons combates de street-fighting. Mais que uma vez, em mais que um local. O episódio mais recente excede um pouco o normal, mas não inédito: andaram aos tiros num desses locais. Um morto. Esta merda tem algum jeito? E as bombas de gasolina com os carrinhos tunning e os seus bares improvisados? É a mesma história. Uma vergonha.
Fechem esses antros e deixem as casas que podem, e devem, estar abertas até mais tarde, servir refeições, bebidas e um local seguro para se estar. Mas não! - O que está a dar é fechar bares ás 2 da manhã... que fazer?

Eu... dormir.
Beijinhos e abraços

agosto 23, 2004

Remodelações

Mudei o aspecto á tasca, por razões de ordem técnica. O template anterior já pertencia à pré-história do blogger. Aos insistentes (resitentes) clientes da casa tenho que pedir desculpas, mas os comentários... já eram.
Mas template novo, vida nova! Espero que gostem, que apareçam e que comentem. É pedir muito? ops... ok, então desculpa.

abraços e beijinhos!

agosto 19, 2004

Descobertas

Este texto, publicado no Público de hoje, dá conta de um estudo, realizado Faculdade de Química da Universidade Complutense, em Madrid, que revela que um componente da cannabis poderá ser usado para tratar tumores cerebrais. O tratamento poderá substituir a radio e a quimioterapia. Deêm o benefício da dúvida e tirem as vossas conclusões.
A mim parece-me que anda meio mundo agarrado ao Valium e ao Xannax, e chamam drogados a quem fuma cannabis... eles lá sabem.

agosto 18, 2004

Fidewa

Ingredientes:
200 gr. Miolo de Berbigão
200 gr. Miolo de Amêijoa
200 gr. Argolas de Lulas
200 gr. Camarão pequeno
10 Gambas
500 gr. Espaguete
4 Caldos Knorr de Marisco
Cebola, Alho e Pimento verde
Pimenta branca moída e Coentros(qb)

Preparação: Numa caçarola grande ou recipiente idêntico (serve o das paellas) faz-se um refogado, em azeite virgem, da cebola, o alho e o pimento verde. Cobrir toda a base do recipiente com o refogado e deixar apurar até que a cebola fique transparente.
Juntar todo o marisco, previamente lavado para soltar a areia. Deixar o marisco cozer em cima do refogado aproximadamente 5 minutos.
Neste período de tempo, preparar numa panela, um litro de água com 4 caldos Knorr de Marisco. Reparem que em altura nenhuma juntam sal ao tempero.
O marisco está quase cozido e falta apenas juntar a massa. Para isso junta-se meio litro do caldo de marisco e, por cima, o esparguete partido ao meio.
Deitar a pimenta branca moída, a gosto, e deixar cozer. Podem juntar o restante meio litro do caldo de marisco, á medida que vá sendo necessário para cozer a massa.
Servir no recipiente em que se cozinhou, adornando o prato com as gambas e umas folhas de coentros.



Vinhos:
Verde, muito fresco.

Nota: Confecciono ao domicílio. Preços módicos.

A viagem na cabeça

«Do meu quarto andar sobre o infinito, no plausível íntimo da tarde que acontece, à janela para o começo das estrelas, meus sonhos vão por acordo de ritmo com a distância exposta para as viagens aos países incógnitos, ou supostos, ou somente impossíveis.»
Fernando Pessoa, Livro do Desassossego

agosto 17, 2004

Mais que eu

O dia começou para mim, doce e quente. Numa alvorada tardia, a luz que rompeu a cortina improvisada bateu-me nas pálpebras e desperta-me da latência. Ainda tento distinguir o que é sonho ou não, mas enquanto me levanto, sinto que tenho dentro de mim coisas que não queria reais. Estou, no entanto, leve. São para mim companheiros de viagem, dos quais desisti de me separar, pois fazem parte do meu corpo, como os meus olhos ou a minha pele. Estão mais perto de saber quem eu sou... do que eu mesmo. Não me distingo entre as sombras, que os muros que ergui projectam no chão quente. Por isso prefiro a planura, e não olhar para os escombros que deixo para trás. Vejo crianças de sorrisos gastos. Passaram por tanto que se esqueçeram de como se ri. Estou no meio delas e invade-me um vazio assustador.
Tenho calor, arrepio-me de frio, tiro a roupa e mergulho nás águas azuis. Sinto que recomeça tudo.

Desilusão

São dias tristes, os que a democracia moderna vive!
O resultado do referendo revogatório na Venezuela é uma enorme desilusão para o país. A minha família que ali vive, alguns há mais de 30 anos, merecia outro destino.
A permanência, por mais dois anos, de Hugo Chavez ao comando dos destinos da Venezuela é um perigo para os venezuelanos e, numa análise superficial mas global, para o mundo. Porquê? Porque o homem é louco, mas um louco esperto. Porque um soldado modesto, admirador de Fidel Castro, que tem programas de propaganda na rádio e na televisão, é presidente do 5º maior exportador de petróleo do mundo, e o 1º fora do Golfo Pérsico.

O «comandante» Hugo Chavez, que não é mais que um ditador, um militar que ascendeu na carreira a custo de muitas manobras obscuras, chantagens e assassinatos, chega ao poder, por caminhos não menos claros, e vence as primeiras eleições acusado de fraude. Chavez tinha estado preso dois anos, depois de uma tentativa gorada de um golpe de estado. O espírito revolucionário era a arma de Chavez. E o povo pareceu gostar. Mas nem todo: assisti a um discurso televisivo de Hugo Chavez, na noite de Natal. As pessoas vão para a janela e batem nos tachos e panelas, deixando o "presidente" a falar sozinho. Asseguro-vos que o barulho nas ruas é ensurdecedor.

O sistema político Venezuelano, mesmo depois da revisão constitucional, que permitiu a Hugo Chavez mudar, entre tantas outras coisas, o nome do próprio país para República Bolivariana de Venezuela*, concede ainda o direito ao povo de, a meio do mandato presidencial, dizer se está ou não satisfeito. Num país com cerca de 16 milhões de vontantes, se forem reunidas cerca de 3,5 milhões de assinaturas, o referendo pode ser convocado. Assim aconteceu e havia esta oportunidade. Era uma oportunidade que não devia ter sido desperdiçada.
O ex-presidente americano Jimmy Carter, entre outros líderes mundiais foram convidados pelo próprio Chavez numa manobra de propaganda no sentido de credibilizar o acto eleitoral. "Esforço", no entanto, em vão. Os opositores do regime de Chavez, prontamente, denunciaram aquilo que dizem ser "o roubo da réstia de democracia que ainda existia na Venezuela." - e alegam ter provas que ouve fraude. Facto é que em muitas das mesas de voto, os representantes do CNE (Consejo Nacional Electoral) foram substituídos por militares. Essa situação já se tinha verificado em 1998, data da primeira eleição de Hugo Chavez e novamente em 2002, data da sua reeleição. Estas situações são sintomáticas de regimes opressivos, anti-democráticos e... muito frágeis. Porque disso não tenho qualquer dúvida: basta haver interesse em terminar com eles; os regimes ditatoriais e opressivos, são os que mais facilmente caiem.
No momento em que escrevo, ouço nas notícias da Dois. Morreu uma pessoa e várias ficaram feridas, em confrontos entre apoiantes e opositores de Chavez.

Nada de novo, para minha tristeza e para a miséria em que vive 90% da população venezuelana.
Temo por um país que admiro e gosto, e temo pela minha família que ali vive. Vão ser dois anos difíceis.


*A admiração que Hugo Chavez tem por Simon Bolivar, o Libertador, chega ao ridículo de o presidente acreditar que possui o espírito de Bolívar dentro dele. Enfim, há loucos para tudo...

agosto 08, 2004

Regresso

As férias na Ilha de Tavira foram, como sempre, muito boas. Muito sol, muita cerveja, muitas caras novas, o grupo de amigos que se vai alargando de dia para dia e o completo alheamento do que se passa fora daquele pedaço de terra flutuante, justificam a visita anual. É doce e calmo. Sabe bem perder a noção das horas e, simplesmente, isso não ter importância nenhuma.
São dias bem passados, garanto-vos. Vale bem a viagem.

De volta a terra firme, resta-me anotar e guardar as recordações (e partilhar algumas), que vão durar um ano. Mas enquanto não arranjo as fotografias para ilustrar tudo isso, deixo-vos uma sugestão:
O PhotoBlog de um amigo meu deixa-me orgulhoso. O nome dele é Nuno Ferreira. Tenho a certeza que é apenas uma questão de tempo até que o trabalho dele seja reconhecido. Desejo-lhe os maiores sucessos.