O Manuel Cruz surpreende-me, mais uma vez. Fui (e sou) grande apreciador de Ornatos, mas este disco de Pluto... este disco... porra pá, sem palavras!!! Ou melhor, com tantas palavras ... mas deixo-vos nada menos que este poema.
Top Nacional: Manuel Cruz, Adolfo Luxúria Canibal e Jorge Palma.
A VIDA DOS OUTROS
Sei que é um segredo,
Eu não conto a ninguém.
Só falei a um que é teu amigo também
Diz-me o que é que ele disse, o que é que ele achou
Sobre aquilo que nós dissemos
Diz-me: ele acha-me o quê?
E se ele sabe o porquê, de tudo aquilo que nós vivemos
Os segredos são de quem os souber guardar.
Sei que é um segredo,
Eu não conto a ninguém.
Era tudo mais fácil
Se eu estivesse lá para ouvir
Eu não conto a ninguém.
Era tudo mais fácil
Se eu estivesse lá para rir
Eu não conto a ninguém.
Eu não conto a ninguém.
Eu não conto a ninguém.
Sei que é um segredo, isso é fácil de ver.
Se é que ainda o é
mas como vais tu saber!?
Diz-me o que é que ele disse
O que é que ele achou
Sobre aquilo que nós dissemos
Diz-me: ele acha-me o quê? E se ele sabe o porquê,
De tudo aquilo que nós vivemos.
Os segredos são de quem os souber guardar.
Basta que entre nós exista
e ao silêncio já não voltas
Não sei como foi nem quero amanhã calar eu espero.
Era tudo mais fácil
Quando era a minha vez de me vir
Eu não conto a ninguém.
Tão mais engraçado quando eu me lambuzava a ouvir
Eu não conto a ninguém
Eu não conto a ninguém
Eu não conto a ninguém
Diz-me o que é que ele disse
O que é que ele achou
Porque eu não conto a ninguém
Pluto - Bom Dia - 2004
novembro 16, 2004
novembro 13, 2004
Antagonia Filosófica Branca
Outro despertar cheio de antagonia devolve-me pensamentos gravados a fogo. Quero sentir mais, mas não descubro a flor para cheirar. O sol não chega para me iluminar a alma e o esforço que faço para abrir os olhos pesa-me no desejo de saber quem és. Como o mosquito em volta da luz branca, estupidamente atraído por um brilho que a sua razão desconheçe. Manifesta-se em silêncios espaçados, em ausências de ressentimentos, numa alvorada fresca. É urgência de ti sem te ter. Sufoco em tons de brisa do mar, que me enche o corpo de azul, sopra breve mas intenso.
Não receio sentir o desconhecido, receio não sentir de todo. Mas nessa inércia não toco e vivo com a dúvida coberta por cera quente. Na fugaz tentativa de superar o que de mais fraco existe em mim, sobra-me a vontade e falta-me a força. Levanto-me por isso, entre estas duas paredes de água e areia e vou em direcção ao ocaso da imensidão do teu (ou meu) inconsciente. É a força que encontro hoje para evitar o delírio. Não me faltasse ela em todos os restantes dias que sou forçado a existir.
Não receio sentir o desconhecido, receio não sentir de todo. Mas nessa inércia não toco e vivo com a dúvida coberta por cera quente. Na fugaz tentativa de superar o que de mais fraco existe em mim, sobra-me a vontade e falta-me a força. Levanto-me por isso, entre estas duas paredes de água e areia e vou em direcção ao ocaso da imensidão do teu (ou meu) inconsciente. É a força que encontro hoje para evitar o delírio. Não me faltasse ela em todos os restantes dias que sou forçado a existir.