Sem surpresas, aceito os silêncios e desprezos. Conformo-me com as certezas que não tenho. Nunca foi, de resto, de outra maneira. Mas não me sinto diferente de qualquer outra pessoa. Somos matéria. Somos finitos, mesuráveis e, consequentemente, temos limites. Se a pele é fronteira, de tudo o que de orgânico há em nós, o que delimita a capacidade de aceitação? O ponto de ruptura, que todos temos, está onde?
Fosse esta dor tão irreal. Falta-me a coragem para enfrentar o inevitável, que ouço chegar, a pisar folhas secas, de palavras que perdem o sentido a cada passo em frente.
junho 19, 2004
junho 03, 2004
Movimentos radicais
Não suporto aqules mail's em cadeia, cheios de setinhas, de tantas vezes que foram reenviados. Irrita-me estar permanentemente a apagar coisas que NÃO pedi para me enviarem. Desde as mensagens de amizade, caridade, porno(?), caniches perdidos, doenças estranhas e tantos outros que se enquadram perfeitamente na categoria "se não enviares, cai-te a pila".
Mas é inevitável, não resisto. A excepção que confirma a regra. Recebi este mail, esta frase, esta pérola:
"O melhor movimento feminista continua a ser... o das ancas."
Mas é inevitável, não resisto. A excepção que confirma a regra. Recebi este mail, esta frase, esta pérola:
"O melhor movimento feminista continua a ser... o das ancas."

junho 02, 2004
Manifesto
Ora vejam lá se não concordam com este amigo:
"Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário:
estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar. Hoje, não.
A criança nasce não numa família mas numa pista de atletismo com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis. E um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição. Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho, as quecas de sonho. Não admira que, até 2020, um terço da população mundial estará a mamar forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima. Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência. Mas a felicidade."
João Pereira Coutinho, jornalista
"Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário:
estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar. Hoje, não.
A criança nasce não numa família mas numa pista de atletismo com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis. E um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição. Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho, as quecas de sonho. Não admira que, até 2020, um terço da população mundial estará a mamar forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima. Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência. Mas a felicidade."
João Pereira Coutinho, jornalista
junho 01, 2004
Once in a lifetime
Quem tiver oportunidade (esta é única), não perca!
Uma das grandes bandas de sempre em Portugal no dia 11.
Para quem quiser ouvir uma música...
Clica com o botão direito do rato e escolhe "guardar destino como...".
Uma das grandes bandas de sempre em Portugal no dia 11.

Para quem quiser ouvir uma música...
Clica com o botão direito do rato e escolhe "guardar destino como...".
Coincidências festivas

Que giro.
Precisamente neste dia, os suspeitos no caso «Casa Pia», conhecem a decisão da juíza. Quem vai a julgamento, e quem não vai. Já era tempo, digo eu.
Ao mesmo tempo, alteraram-se as medidas de coação. Os que, de facto, vão a julgamento, aguardam o mesmo, não em prisão domiciliária, mas apenas proibídos de se ausentarem da sua área de residência, neste caso a área do concelho de residência.
Mas o curioso é o timming da questão. E as consequências que tem.
Não acham estranho tudo isto ocorrer UM dia antes do Dia Mundial da Criança??!??
Os responsáveis pelas festividades organizadas para o efeito, marcadas nas áreas de residência dos arguidos do processo de pedofilia, vão pensar seriamente em localizações alternativas.