maio 29, 2004

Viver para contar


Passaram mais de 30 anos desde que Tom Morey, na garagem de sua casa na Califórnia, moldou a primeira prancha de Bodyboard. O surf estava em acentuada expansão, mas a maior segurança, comodidade e menor custo das novas pranchas de bodyboard, levou o bodyborad a afirmar-se e a crescer até ao que é hoje.
O fascínio deste «sabonete rastejante» é caber na mala do carro, resistente mas suave, fácil de aprender e permite andar na onda de mais que uma maneira: deitado, de joelhos(drop-knee) ou em pé, em todos os tipos de onda, desde a pequena espuma até ao maior dos tubos.
Que quero eu dizer?? Isto não é só desporto de grandes atletas, que enfrentam ondas e condições extremas, desafiadoras da própria vida. É um desporto versátil por isso mesmo. Para desfrutar do bodyboard não é preciso andar a voar em ondas de três metros. O bodyboard serve para desafiar as ondas mais "pesadas" do planeta e para divertir a criancinha e o pai (ou a mãe) de família num fim de semana quente de verão.
Tom Morey chegou a afirmar que o desporto que ele inventou, estava a seguir um caminho diferente daquele que tinha imaginado. Demasiada competição, agressividade e exigência. Talvez ele tenha razão. Mas há quem não pense assim. Há quem goste simplesmente da essência. Há por aí muitos desportos que deviam meter os olhos no exemplo que é o bodyboard. Mas como já disse uma vez, tem de se viver para contar.
Na semana passada andavam uns miúdos com umas pranchas, a brincar na espuma das ondas, na praia onde costumo ir. Calcei as barbatanas e fui para lá, divertir-me com eles. Acho que também foi por isso que Tom Morey inventou o Bodyboard.

P.S.- Sei que já estão a pensar em comprar uma prancha e umas barbatanas. Encontramo-nos dentro de água?

O verdadeiro artista

maio 27, 2004

O nível da política em Portugal

Parecia um tanque de gasolina furado. O debate azedou e o «nível» desceu. No fundo, eles amam-se.
Durão Barroso, Carlos Carvalhas e Francisco Louçã (qual Trio Odemira) deram música aos deputados e ao País. De "cobarde" a "insuportável", eles cantam á desgarrada, só interrompidos pelas chamas de atenção do Sr.Mota Amaral que, já sem esperança num debate sério, exclamou: "Já disse o que tinha a dizer sobre esse assunto" (Leia-se, já tinha avisado os meninos para falarem como as pessoas).
O ataque bifurcado tinha Carvalhas e Louçã a comandar cada flanco.
Carvalhas consumido da vida porque o PM acusa, a ele e ao seu partido, de serem responsáveis por "coisas que possam correr mal". Sinceramente, estou com o Carvalhas nisto. Que queres dizer Durão? Se não estás, como te acusam, a refugiar na maioria, porque foi essa a única resposta que destes?
Já Francisco Louçã insistiu no assunto da GALP e do negócio da Caixa Geral de Depósitos. Há coisas mal explicadas, favorecimentos de grupos económicos e empresas americanas e dois poços de petróleo ao barulho. O Louçã é chato, ok. Mas o homem levou factos, e nenhum deles foi ainda formalmente desmentido.
É triste e sintomático. À saída do debate, Durão Barroso falou de maioria e de atitudes anti-democráticas. Não se retractou do mau exemplo que também ele deu... e siga para o futebol, não sem antes exclamar:
"O nível da política em Portugal está muito baixo".

Boa! Pois está Durão...

«AZUL»

O feito é histórico e deve ser comemorado como tal. Por todos. Não vejo espaço para rivalidades e clubismo radical.
No entanto, as últimas horas surpreendem pela negativa. A atitude do Mourinho é difícil de explicar; ele terá as suas razões, mas jogadores e adeptos mererciam outra postura. Não aproveitou o momento e agora está de saída. Veremos se terá muitas mais hipóteses de festejar um título como o que o FC Porto ganhou ontem.
Parabéns aos tripeiros e que esta vitória sirva de tónico á equipa nacional.
No meio de tanta crise, e das consequências gravosas que o investimento disparatado no futebol implica, é o mínimo exigível.

maio 24, 2004

Nevou

Cada vez mais perto, em queda livre e com uma sensação de vazio.
Sabor a tudo, ar frio e seco. Folhas em branco rasgadas para fazer sentido dizem que não é permitido pensar. Lançadas ao vento, são neve impura, cheias de nada.
Hoje fui mais fundo, remexi em feridas e dores que já não tenho e já não sinto.
Faz-me falta o teu sorriso. O sol já não me aquece e não tarda a extinguir-se.
Conforta-me e esqueçe-me.
Leiria, 25 Janeiro, 2003

Ordenados, S.A.

Isto é uma palhaçada.
Afinal não há crise nenhuma, é tudo uma farsa! (onde ouvi eu isto?)
Quando se pode pagar 60 mil euros por mês a um profissional, escolha pessoal da nossa querida ministra das finanças, a teoria da crise cai por terra, qual castelo de areia que a menina Ferreira Leite e comparsas, andam a construir há dois anos.
Gaba-se ainda, esta senhora, da atitude que teve face ao "esquecimento fiscal":
- Se todos fossem como eu? - oh sra. ministra... se todos fossem como tu, não seriam 15 mil euros que fariam diferença no orçamento familiar. Mas não são. Há por aí muito boa gente a auferir o ordenado mínimo. Há por aí muito boa gente a ser interceptada nas auto-estradas, em mega-operações de caça á multa... faz falta não é?
Por isso, e por tantas outras calamidades ao longo de dois anos, a ministra das finanças METE NOJO.
Hoje deu-me para isto, que querem que vos faça?

Sim, Bush, metes nojo

Há uns meses iniciei neste espaço, uma coluna a que chamei "Mete Nojo". Na altura o feliz contemplado foi o Sr.George W. Bush, por razões sobejamente conhecidas. O tempo que passou até aqui apenas deu força e razões ao que escrevi.
Recentemente, em Cannes, o documentário Fahrenheit 9/11 ganhou a Palma de Ouro para o melhor filme. Influências políticas, uma declaração de insatisfação pública? Pode ser isso, e muito mais.
Segundo Quentin Tarantino, presidente do júri do referido festival, as questões políticas não tiveram relevância para a atribuição do prémio. O realizador da saga Kill Bill e Reservoir Dogs, atestou que o valor cinematográfico do documentário de Michael Moore é mais do que suficiente para lhe conferir legitimidade para merecer o galardão.
Com Bowling for Columbine, fomos confrontados com a terrível realidade que é o negócio das armas e munições, dentro dos EUA, das consequências desastrosas de ter um país com medo e com uma arma na mão de cada cidadão. Em cada um deles, existe um paladino, um justiceiro da noite, um ranger do texas... enfim, rambos!
No ano em que foi realizado o documentário, os americanos mataram-se (entre si) em número muito superior ás baixas que já registaram no conflito do Iraque.
O enimigo não está lá fora, longe da (curta) vista dos responsáveis políticos. O teu vizinho está armado, tem cuidado com ele e não o irrites, não lhe pises a relva, pois podes levar um tiro na cabeça.
Ao receber o prémio, Michael Moore não deixou de referir que já consegui distibuidor para o filme... na Albânia. Pois, porque no seu país de origem, o filme não é público. A Miramax recusou-se a distribuí-lo por, alegadamente, abusar de teor político, obviamente contestatário ao actual presidente e à sua forma de "governar". É assim a democracia nos EUA.
Por tudo isto, o Bush mete nojo. Tenho dito.

P.S.- Dado curioso, exposto em Fahrenheit 9/11 : nos dois primeiros anos de mandato, GWB passou 42% do seu tempo... em férias. Palavras para quê?

maio 19, 2004

Citações

«O Medo é moderador.»
Prof.José Maria Trindade, 2003

Riscos

Jardim com cheiro a erva doce,
luz cheia de tudo,
que seca as folhas do chão.
Raiz de problemas, árvore forte e brilhante,
fruta doce, fresca.
Distância e medo.
Que esse cheiro me envenene e que a luz me cegue.
Que esse fruto me sufoque, entalado na garganta.
Que consiga gritar, dar a volta...
E acordar.

maio 16, 2004

Publicidade enganosa

A cambada de cretinos que achou que o Euro 2004 era uma boa ideia, só é superada no ranking da ideotice, por aqueles que permitiram que isso se tornasse realidade. Os resposáveis por essas "sociedades" constituidas para o efeito, Madaíl e companhia, continuam a ter o apoio incondicional dos governantes, que vão fazendo do evento uma bandeira e, aqui e ali, arma de arremesso contra adversários políticos.

Num país onde existem carências graves, quer a nível económico como social, consigo-me lembrar de tantas coisas que se fariam com essa (ultrajante) verba, destinada á contrução dos tais 10 estádios. Demagogia barata e crítica destrutiva? Saberão se abrirem os olhos.
O que está feito e em andamento é um projecto megalómano, desapropriado á realidade nacional. Uma tentativa ridícula de afirmação, quando tanto o futebol como o país, estão longe de ser aquilo que o FC Porto vai fazendo pela europa ou ser-mos o país apresentado em outdoors e publicidades (enganosas).
Dizem que reconhecer a doença é o primeiro passo para a cura. Portugal não está em crise, está em negação.

Sobre o campeonato europeu, desejo apenas que a selecção ganhe, que os jogadores recebam cerca de 200 mil euros cada um (o scolari recebe 50% mais) e que o país beba cerveja e ande em festa três dias... mas no fim, vai voltar tudo a ser como era. Porque nada disto vai resolver seja o que for.
O desemprego sobe, as dificuldades sobem, os impostos sobem, a gasolina sobe... enfim, vocês sabem a história. A minha sugestão é que mudem aquela música da GALP. "Menos aís?" - cante-se "Sobe mais, sobe mais, sobe mais.... sobe muuuuitooooo mais!"

Alvorada

Estou preso ao chão, sem conseguir sair debaixo dessas palavras demolidoras, espectante e a adivinhar a derrocada.
Tenho um rio nos olhos que fecho até me doer, não queria sentir. Estaria melhor a sonhar, mas a angústia não me deixa dormir. A consciência conforta-me e atravessa-me o peito. Queria correr mas as minhas pernas não me ouvem. Como tu.
Perdi-me na procura das razões que justifiquem o inexplicável. Dedicação e entrega são doces que se oferecem sem olhar a retorno. Amor não.