São nossos os dias de doce ausência. São horas mutadas num rasgo discreto. São os pulmões cheios de ar e, ainda assim, urgência em inspirar, absorver mais de ti.
Hoje o ar pesa, sufocado pela injustiça. Não estivesse eu cansado dela. Soltou-se a amarra do gosto pelos danos que, à revelia do que sinto, insisto em perpétuar. Não me motiva a raiva, mas o desgosto e a desilusão e a vontade de receber mais. Porque o altruísmo sentimental já não é sustentável.
Por isso hoje escolho ver, contemplar e não sentir. E deste dia, feito de negro e frio, escolho esquecer e afogar-me num mar de nada.