junho 26, 2005

O4 - ar pesado

São nossos os dias de doce ausência. São horas mutadas num rasgo discreto. São os pulmões cheios de ar e, ainda assim, urgência em inspirar, absorver mais de ti.
Hoje o ar pesa, sufocado pela injustiça. Não estivesse eu cansado dela. Soltou-se a amarra do gosto pelos danos que, à revelia do que sinto, insisto em perpétuar. Não me motiva a raiva, mas o desgosto e a desilusão e a vontade de receber mais. Porque o altruísmo sentimental já não é sustentável.
Por isso hoje escolho ver, contemplar e não sentir. E deste dia, feito de negro e frio, escolho esquecer e afogar-me num mar de nada.