setembro 16, 2005

Quick one

«Vês que já não chega o que és quando, do nada, te surge esse pensamento.
O pavio mantém a pequena chama viva e a cera quente faz ondas e dilacera. Jaz, poente, a luz.»

Então que sobra do mundo que nos prometeram? Somos filhos de uma geração de libertadores. Nascemos em liberdade e «vocês não sabem o que ela custou!». – Mas o que fez esta geração á liberdade, que a conquistou de cravo no cano da G3? O que andaram a fazer estes 30 anos enquanto eu cresci a acreditar que toda esta história de liberdade, de Europa, de “rotatividade democrática” no governo, de uma terra de gentes passivas e costumes toscos, pacífica e simpática e feliz (desde que o benfica ou a selecção ganhe)... que lhe fizeram? Até onde trouxeram Portugal?
Este modelo pós 25 de Abril, este modo de ver a vida pública e social, está em decomposição. Não é necessária outra revolução, em que os militares saiam á rua. É preciso uma revolução que resgate valores. Que haja novos perfis para dirigentes políticos. Que seja natural uma pluralidade de vozes, com visões diferentes, e que da discussão, em vez do actual lixo de propaganda, emane algo profícuo. Reconheço alguma utopia nisto tudo, mas perguntem lá á minha avó se em 1965 lhe passava pela cabeça viver sem ser em ditadura? – Utopia, diriam.
Assim, começo a achar alguma piada a tudo isto. Ás rotinas, à agitação citadina, aos senhores de gravata em passo acelerado na rua que o fazem para dar a impressão de que vão atrasados para uma reunião importante. Gosto de olhar as pessoas na cidade e ver as ilusões a passear.
Bom, mas nada disto importa porque, na boa maneira de ser «tuga», tudo continua igual. Pois, para mim, não. Mando a ordem e as regras ás urtigas! Dizem que estou louco. Mas ao constatar o factual... isso não me importa nada. O que interessa é que me vou rir até que doa a barriga e a cabeça me rebente. Vou estar a aplaudir, de pé, a nacional-estupidez, em hipócrita ovação!

2 comentários:

W. disse...

Eu aplaudo!

Carca disse...

Eu passo a vida no meu trabalho a avacalhar e a fazer merda com os turistas. "Os Portugueses são loucos, dizem-me." Não, os Portugueses não são loucos, eu é que sou louco, os meus compatriotas são uns meninos de couro que ainda acreditam que o Salazar pode rescuscitar para meter o país na idade média outra vez. É estranho, mas ninguém parece saber aproveitar a liberdade para avacalhar como deviam...